Status
Aprovado
Submetido em
29/04/2026
Autores
L
Letícia Gabrielle Rebonatto Vieira (1)
Autor Principal
Patrik Lorran Moraes de Sousa (1)
Edivaldo Coelho Madeira Júnior (1)
Rebeca Rocha Pinheiro (1)
Wendel Sousa Lima (1)
Francisca Luzia Soares Macieira de Araújo (2)
(1) Graduando(a) do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.;
(2) Médica. Docente da Universidade Federal do Maranhão.
Introdução
O câncer de pênis é uma neoplasia epitelial rara em países desenvolvidos, mas com taxas de mortalidade alarmantes em nações em desenvolvimento. No Nordeste brasileiro, indicadores elevados da doença relacionam-se diretamente aos determinantes sociais de saúde. Baixo nível socioeconômico, acesso limitado à urologia especializada, diagnóstico tardio e escassez de campanhas de higiene íntima contribuem para a gravidade do desfecho clínico. O estigma cultural masculino também retarda a busca por auxílio médico, resultando em intervenções frequentemente mutiladoras. Assim, a análise da evolução temporal da mortalidade é estratégica para a gestão em saúde e o enfrentamento dessa neoplasia negligenciada.
Objetivos
Analisar a tendência temporal da mortalidade por câncer de pênis no Nordeste brasileiro entre 2015 e 2023, caracterizar o perfil das vítimas e investigar a relação com indicadores de desenvolvimento humano.
Métodos
Estudo ecológico de série temporal com dados de mortalidade (CID-10: C60) obtidos do SIH/SUS via DATASUS (TABNET) e analisados no RStudio. Utilizou-se regressão de Prais-Winsten para estimar a Variação Percentual Anual (APC). A correlação entre mortalidade e indicadores sociais (IDH e Índice de Gini) foi avaliada pelo coeficiente de Pearson.
Resultados
Foram registrados 1.400 óbitos no período, com maior concentração na Bahia (383), Maranhão (225) e Pernambuco (214). O Ceará apresentou tendência crescente significativa (APC: 8,16%; p=0,034), enquanto os demais estados mantiveram tendência estacionária, apesar de APCs positivas elevadas, como no Rio Grande do Norte (9,28%; p=0,054). Observou-se correlação negativa moderada a forte entre mortalidade e IDH (r=−0,509), indicando maior letalidade em estados com menor desenvolvimento. A correlação com o Índice de Gini foi fraca (r=−0,230). O perfil predominante foi de homens pardos, entre 60 e 79 anos, com baixa escolaridade. A mortalidade regional estimada foi de 2,45 óbitos por 100.000 habitantes.
Conclusão
A mortalidade por câncer de pênis no Nordeste apresenta patamares preocupantes e ascensão crítica no Ceará. A correlação direta com o baixo IDH ratifica a neoplasia como patologia da negligência social. Os resultados reforçam a urgência de políticas focadas em saneamento, educação em saúde, vacinação contra HPV e ampliação do acesso urológico desde a atenção primária para reduzir a letalidade na região.
Informações de Apresentação