XVI Congresso Norte Nordeste de Urologia
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Trabalho #13  ·  Relato de Caso
E-POSTER
ADENOCARCINOMA DE URETRA DE CÉLULAS CLARAS: DESAFIOS NO MANEJO DE NEOPLASIA RARA – RELATO DE CASO
Status Aprovado
Submetido em 30/04/2026
Autores
(
(1) Anna Luzia de Jesus Sousa Viegas
Autor Principal
(1) Pryscylla Vieira Vezzosi (1) Victória Carvalho Falcone de Oliveira (2) Ingrid de Macêdo Araujo (2) Karollanny Alves Costa Lima
(1) Acadêmica de Medicina na Universidade Federal do Maranhão (2) Médica Residente em Urologia no Hospital Universitário do Maranhão
Introdução
O câncer primário de uretra é raro, sendo o adenocarcinoma de uretra de células claras (AUCC) um dos subtipos histológicos menos frequentes. Com maior incidência em mulheres pós-menopausa. A escassez de casos limita a compreensão de sua patogênese e fatores de risco, dificultando o diagnóstico precoce. Na clínica, o AUCC pode mimetizar outras neoplasias do trato urinário inferior, manifestando-se por sintomas urinários obstrutivos, hematúria e infecções urinárias. Embora a ressecção cirúrgica seja a principal modalidade terapêutica, a ausência de diretrizes consolidadas reflete o baixo nível de evidência disponível para o manejo ideal.
Métodos
Paciente feminina, 54 anos, apresentou-se com queixa de esforço miccional, disúria, hematúria progressiva e histórico de retenção urinária aguda. O exame físico revelou endurecimento palpável em região posterior de uretra ao toque vaginal. A ressonância magnética de pelve demonstrou espessamento concêntrico e irregular da uretra (5,8 x 4,1 x 4,3 cm) com restrição à difusão, sugerindo neoplasia. A biópsia uretral confirmou carcinoma moderadamente diferenciado de padrão sólido e glandular.
Devido à raridade e ao risco de progressão, optou-se por cirurgia upfront. Em dezembro de 2025, a paciente foi submetida a uma exenteração pélvica anterior (cistectomia radical, histerectomia total, salpingooforectomia bilateral e linfadenectomia pélvica) com derivação urinária Bricker. O estudo anatomopatológico revelou AUCC de alto grau, com invasão perineural e angiolinfática, estadiamento pT4 pN1. Atualmente, a paciente encontra-se em seguimento pós-operatório, apresentando boa evolução e encaminhada à radioterapia adjuvante.
Conclusão
O caso supracitado evidencia a complexidade diagnóstica e terapêutica do AUCC. A evolução clínica da paciente ilustra de forma clara como sintomas iniciais inespecíficos podem retardar a suspeita diagnóstica, ressaltando a importância de uma investigação criteriosa, especialmente diante de sinais de alarme, como retenção urinária e achados palpáveis ao exame físico. O estadiamento avançado e a presença de invasão angiolinfática reforçam a agressividade e o potencial de disseminação precoce desta neoplasia. Ademais, a abordagem cirúrgica radical com exenteração pélvica anterior, associada à radioterapia adjuvante, buscou tanto o controle locorregional quanto a melhoria do prognóstico. Este relato contribui para a literatura ao ampliar o conhecimento sobre o AUCC, destacando seus desafios diagnósticos, a importância do reconhecimento precoce e a necessidade de estratégias terapêuticas agressivas e bem planejadas.
Informações de Apresentação
E-POSTER
Modalidade
05/06/2026
Data
12:30
Horário
TV 02
Sala