Status
Aprovado
Submetido em
30/04/2026
Autores
A
Antonio Augusto Lima Teixeira Júnior (1)
Autor Principal
Juliana Martins da Guia Ribeiro do Carmo (2)
Rodolfo Borges dos Reis (3)
Gyl Eanes Barros Silva (4)
Wilson Araújo Silva Júnior (3)
(1) Biólogo, Doutor em Genética - Grupo de Estudos em Patologia Molecular, Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão.
(2) Médica - Pesquisadora do Grupo de Estudos em Patologia Molecular, Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão.
(3) Docente, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo.
(4) Docente, Universidade Federal do Maranhão.
Introdução
O câncer de pênis (CaPe) é um grave problema de saúde pública no Norte e Nordeste do Brasil, com com importantes repercussões funcionais e psicossociais. O Maranhão apresenta a maior incidência mundial registrada (ASR 6,1/100.000 homens), com 27,6% dos pacientes apresentando metástase linfonodal ao diagnóstico, principal determinante de mortalidade. Apesar disso, biomarcadores moleculares preditivos de metástase linfonodal são inexistentes na prática clínica, refletindo a subcaracterização genômica da doença.
Objetivos
Caracterizar o perfil genômico, transcriptômico e de microbiota tumoral associado à metástase linfonodal no CaPe.
Métodos
Estudo observacional com coorte prospectiva de 28 pacientes com CaPe (14 metastáticos, 14 não-metastáticos) atendidos em três hospitais de referência do Maranhão. Amostras pareadas de tumor primário (PT), linfonodo metastático (MT) e tecidos normais foram submetidas a sequenciamento do exoma completo (WES), transcriptoma (RNA-seq), sequenciamento do gene 16S rRNA e genotipagem do HPV. O estudo foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP; CAAE 57747422.8.0000.5086) e todos os pacientes assinaram TCLE.
Resultados
A análise de microbiota revelou disbiose significativa nos linfonodos metastáticos: Proteobacteria dominou o filo (93,61%), com elevada abundância de Escherichia-Shigella em MT (69,42%) vs. linfonodos normais (3,26%; p<0,001). Bacteroides predominou nos tumores primários não-metastáticos (p<0,0001), enquanto Mycoplasma e Campylobacter foram mais abundantes em PT metastáticos (p<0,05). O WES identificou mutações recorrentes em TP53 (50%), FAT1 (36%), KMT2D (29%) e PIK3CA; a análise de frequência alélica variante demonstrou enriquecimento clonal de FAT1 exclusivamente em MT (p<0,05), sugerindo potencial biomarcador metastático. A análise de assinaturas mutacionais evidenciou atividade de SBS3 (deficiência em reparo por recombinação homóloga) em PT e MT, com implicações para inibidores de PARP. O RNA-seq identificou 38 genes diferencialmente expressos entre PT e MT, com superexpressão de SMPD3, ADAM22 e PNMA5 nas metástases e subexpressão de CMTM2, CD177 e LINC00942. O enriquecimento funcional destacou as vias de citocinas/quimiocinas e NF-κB como eixos centrais da progressão metastática. APOBEC3A esteve tanto no perfil mutacional quanto transcriptômico, sugerindo papel integrado na instabilidade genômica. O HPV foi detectado em 60,7% dos PT e em apenas um MT (7,1%), indicando papel coadjuvante na progressão metastática.
Conclusão
A progressão metastática do CaPe mostrou-se marcada por disbiose com expansão de Escherichia-Shigella, enriquecimento clonal de FAT1, ativação do eixo NF-κB e assinatura de deficiência em reparo homólogo, sugerindo vulnerabilidade a inibidores de PARP. Esses achados identificam biomarcadores candidatos e alvos terapêuticos com relevância translacional para uma doença negligenciada e de alta incidência no Brasil.
Informações de Apresentação