Status
Aprovado
Submetido em
30/04/2026
Autores
(
(1) Leticia Milene Silva da Silva
Autor Principal
(1,2) Jaqueline Diniz Pinho
(1,3) Antonio Augusto Lima Teixeira Júnior
(1.4) Gyl Eanes Barros Silva
(1 )Membro do grupo de Pesquisa em Patologia Molecular, Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, São Luís, Maranhão
(2) Docente da Universidade Estadual do Maranhão, Zé doca, Maranhão.
(3)Docente do IDEIA Faculdade de Medicina, São Luís, Maranhão.
(4 )Docente e Patologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão, São Luís, Maranhão.
Introdução
O câncer de pênis (CaPe) é uma neoplasia rara, porém frequente em países em desenvolvimento com alta vulnerabilidade socioeconômica. O estado do Maranhão apresenta a maior incidência do mundo registrada de CaPe. Pesquisas recentes de CaPe têm evidenciado o gene NOTCH1 como um dos mais frequentemente mutados. Este gene pode exercer funções distintas, promovendo ou suprimindo o crescimento e a proliferação tumoral, a depender do contexto celular. Apesar de frequentemente mutado, não há estudos que investiguem especificamente NOTCH1 na patogênese do CaPe
Objetivos
Identificar alterações no número de cópias gênicas (CNA) e no perfil de expressão de NOTCH1 em amostras de tumor primário e metástase linfonodal de pacientes com CaPe. Hipotetiza-se que alterações no número de cópias gênicas e na expressão de NOTCH1 estão associadas à progressão tumoral
Métodos
Estudo retrospectivo com amostras de pacientes ≥18 anos com CaPe, submetidos a procedimentos cirúrgicos em três hospitais de referência em São Luís, MA. Dados clínicos e histopatológicos foram obtidos por revisões histológicas, e as análises do número de cópias e expressão gênica de NOTCH1 foram realizadas por qPCR, utilizando o método ΔCt comparativo
Resultados
Foram analisados 64 casos de CaPe (30 com metástase e 34 sem metástase linfonodal). A maioria dos pacientes tinha idade >60 anos (48,4%), baixa escolaridade (71,8%), baixa renda (40%), residia na zona rural (60,6%), apresentavam higiene precária (35,8%), 47,1% eram fimóticos. As lesões eram de grau de diferenciação G3 em 90% dos casos com metástase e 61,8% dos casos sem. Observou-se uma alta frequência de HPV, presente em 62,5% dos casos, e com genótipo de alto risco (16, 18 e 31) em ambos os grupos. O hábito de fumar esteve diretamente associado à maior ocorrência de alterações no número de cópias NOTCH1 (P=0.010), e a relação entre o CNA de NOTCH1 e ausência de extensão extranodal foi significativa (p = 0.048) sugerindo uma possível influência do gene no comportamento invasivo, dependendo do tecido o NOTCH1 já se mostrou supressor ou oncogene). A expressão gênica de NOTCH1 no tumor primário foi significativamente menor em comparação ao tecido saudável (margem)(p = 0.0006), bem como no tecido de metástase linfonodal (p = 0.008). Essa diminuição esteve associada a uma pior sobrevida livre de doença (Log rank p = 0.03725) e à presença de transformação sarcomatoide, tanto no tecido do tumor primário (p = 0.011) quanto no de metástase linfonodal (p = 0.006).
Conclusão
Este é o primeiro trabalho a realizar análises de alterações no número de cópias e expressão gênica de NOTCH1 em CaPe. Os resultados mostram que o tabagismo esteve associado ao ganho no número de cópias do gene NOTCH1, e que a expressão gênica de NOTCH1 encontra-se reduzida tanto nos tecidos de tumor primário quanto na metástase linfonodal, em comparação ao tecido saudável, estes são dados inéditos sobre o comportamento desse gene em CaPe. A diminuição da expressão esteve associada à presença de transformação sarcomatoide e a uma pior sobrevida livre de doença, os resultados sustentam o potencial de NOTCH1 como biomarcador de progressão no CaPe.
Informações de Apresentação