Status
Aprovado
Submetido em
30/04/2026
Autores
L
Luís Felipe Gomes Mota Lima (1,2)
Autor Principal
Isabella Barreto Froz (2)
Juliana Martins da Guia Ribeiro do Carmo (2)
Gyl Eanes Barros Silva (2)
Denner Rodrigo Diniz Duarte (3)
Antonio Augusto Lima Teixeira Júnior (2,4)
(1) Graduando em Medicina do Instituto de Desenvolvimento e Aprendizagem (IDEA)
(2) Pesquisador do Grupo de Estudos em Patologia Molecular, Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão
(3) Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Saúde do Adulto, Universidade Federal do Maranhão
(4) Professor do curso de Medicina do Instituto de Desenvolvimento e Aprendizagem (IDEA)
Introdução
O câncer de pênis (CaPe) é uma neoplasia de alta incidência em regiões em desenvolvimento, com o estado do Maranhão registrando a maior incidência global (6,1/100.000 homens). O Papilomavírus Humano (HPV) constitui um dos principais fatores de risco para a doença, com elevada prevalência na região. A oncoproteína E6 do HPV possui papel central na carcinogênese HPV-associada, atuando na inativação da proteína supressora tumoral p53, promoção de proliferação descontrolada, evasão da apoptose e instabilidade genômica, sugerindo potencial valor como biomarcador de prognóstico.
Objetivos
Avaliar o perfil de expressão da oncoproteína E6 do HPV em CaPe no Maranhão, correlacionando com os parâmetros clínico-histopatológicos dos pacientes.
Métodos
Estudo observacional realizado em coorte retrospectiva composta por 100 pacientes com diagnóstico clínico-histopatológico de CaPe. Os pacientes avaliados são oriundos de dois hospitais de referência oncológica no Maranhão. A detecção do HPV foi realizada por PCR-nested (PGMY09/11 e GP5+/6+) a partir de DNA extraído de tecido fixado em formol e embebido em parafina. A expressão de E6 foi avaliada por imuno-histoquímica com anticorpo monoclonal anti-E6 clone C1P5 (Abcam). A associação com variáveis clínico-histopatológicas foi realizada pelos testes Qui-quadrado e Exato de Fisher; a sobrevida livre de doença (SLD) pela curva de Kaplan-Meier (log-rank). O nível de significância adotado foi p<0,05. O estudo foi aprovado em comitê de ética em pesquisa (CEP) (CAAE nº05918918.9.0000.5086).
Resultados
Dos 100 pacientes analisados, 63 (63%) foram positivos para HPV por PCR. Entre os casos genotipados (n=24), o HPV-16 foi o genótipo mais prevalente (66.6%) e coinfecção foi identificada em 8 casos. A expressão da oncoproteína E6 foi detectada em 42% dos casos (42/100), incluindo casos HPV-positivos (64,3%) e HPV-negativos (28,6%), sugerindo eventos de integração e perda de alvos de amplificação (L1) neste último grupo. A positividade para E6 associou-se significativamente a metástase linfonodal (p=0,001) e extensão extranodal (p=0,02). A ausência de expressão de E6 associou-se significativamente com parâmetros de menor agressividade: tumores bem diferenciados (p=0,001), ausência de invasão angiolinfática (p=0,001) e perineural (p=0,001), estadiamento I-II (p=0,01) e subtipo histológico condilomatoso (p=0,005). Na regressão logística binária, E6 manteve-se preditor independente de metástase linfonodal após ajuste para covariáveis (OR=6,792; IC95%: 1,120–41,187; p=0,037). A sobrevida livre de doença (SLD) foi menor nos pacientes E6-positivos, sem atingir significância estatística pelo teste log-rank (p=0,17)
Conclusão
A expressão da oncoproteína E6 do HPV foi associada a parâmetros de maior agressividade tumoral, como invasão angiolinfática, invasão perineural, baixo grau de diferenciação, metástase linfonodal e extensão extranodal. A força de associação com metástase linfonodal (OR≈6,8) reforça E6 como potencial biomarcador prognóstico independente no CaPe.
Informações de Apresentação