Status
Aprovado
Submetido em
04/05/2026
Autores
K
KENNIO ROBERTO CAMPOS RIBEIRO - (1) GRADUANDO EM MEDICINA PELA UFMA
Autor Principal
CAUÃ VIEIRA LAUNÉ RODRIGUES - (2) GRADUANDO EM MEDICINA PELA FACULDADE FLORENCE
FRANCISCO SÉRGIO MOURA SILVA DO NASCIMENTO - (3) UROLOGISTA DO HUPD
ROCLIDES CASTRO DE LIMA - (3) CIRURGIÃO DIGESTIVO DO HUPD
1 - UFMA - UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
2 - FACULDADE FLORENCE
3 - HUPD - HOSPITAL UNIVERSITÁRIO PRESIDENTE DUTRA
Introdução
A reconstrução da parede abdominal em pacientes submetidos à derivação urinária tipo Bricker e radioterapia pélvica apresenta elevada complexidade técnica. A incidência de hérnias paraestomais em condutos ileais é reportada em até 65\%, sendo agravada por fatores como obesidade e atrofia muscular. A gestão desses casos exige abordagem multimodal, integrando a otimização metabólica pré-operatória e a aplicação de biomateriais avançados para mitigar riscos de recidiva e complicações em tecidos irradiados.
Métodos
O estudo relata o caso de uma paciente, feminina, com histórico de carcinoma de colo uterino (2023), submetida a cistectomia total e derivação a Bricker via ureteroileostomia. Apresentou obesidade grau II e volumoso abaulamento abdominal seis meses após a cirurgia oncológica. Foi instituído protocolo de pré-habilitação com gastrectomia vertical (sleeve) há quatro meses, resultando em perda ponderal de 20 kg. Ao exame físico, observou-se flacidez abdominal com abaulamentos volumosos e dolorosos em linha média e flanco direito (peri-estoma), com percepção de alças intestinais sob o plano cutâneo. A paciente relatava dores em coluna e abdome, com impacto severo na funcionalidade laboral e qualidade de vida.
Resultados
A TC de abdome identificou múltiplos defeitos herniários medianos, totalizando 9,8 cm de extensão (maior anel de 4,0 cm), com conteúdo de gordura e alças intestinais. Em fossa ilíaca direita, evidenciou-se volumosa hérnia paraestomal incisional associada ao conduto de Bricker, contendo alça colônica e apêndice cecal. Identificou-se diástase dos retos abdominais de 4,3 cm. Foi realizada a reconstrução com retalhos musculares, herniorrafia e correção da diástase. Foram selecionados como materiais: tela separadora de tecidos na posição intraperitoneal para o sítio paraestomal e tela de polipropileno para o plano retromuscular (técnica de Rives).
Conclusão
A correção da hérnia paraestomal em conduto de Bricker é complexa pela fixação ureteral, que limita a mobilização e eleva o risco de acotovelamentos. A perda ponderal prévia é estratégica para reduzir a gordura visceral e a tensão em tecidos irradiados. A técnica proposta associa tela de absorção lenta (Phasix) intraperitoneal ao polipropileno retromuscular, utilizando a separação de componentes para restauração dinâmica do core abdominal e mitigação de recidivas em grandes defeitos.
Informações de Apresentação