Status
Aprovado
Submetido em
04/05/2026
Autores
L
Luanna Gabryela Ferreira dos Santos Souza
Autor Principal
Kauã Nascimento dos Santos;
Nicole Ferreira de Lima,
Daisy Cristina Zemke Barreiros Archila
Faculdade de Medicina do ABC - Santo André (SP) - FMABC
Introdução
O câncer de bexiga está entre as neoplasias urológicas mais frequentes, com maior incidência em homens e associação ao tabagismo. Nos casos músculo-invasivos, a cistectomia radical é o tratamento padrão, geralmente acompanhada de estomia urinária. Embora eficaz no controle oncológico, o procedimento acarreta repercussões físicas, psicológicas e sociais, impactando a qualidade de vida. Nesse contexto, a pré-demarcação da estomia, realizada pelo enfermeiro, é uma estratégia essencial, podendo reduzir complicações, facilitar a adaptação ao dispositivo e promover maior autonomia no pós-operatório.
Objetivos
O objetivo do estudo foi avaliar a qualidade de vida de pacientes submetidos à cistectomia radical por câncer de bexiga com confecção de estomia urinária, destacando a importância da pré-demarcação como medida preventiva e como apoio ao processo de reabilitação.
Métodos
Trata-se de estudo quantitativo, com coleta de dados por contato telefônico, incluindo 98 pacientes acompanhados em ambulatório do Grande ABC. Os dados foram obtidos do RedCap/FMABC, com aprovação ética (nº 3.853.008). Foram analisadas variáveis sociodemográficas, clínicas e aplicado o City of Hope – Quality of Life – Ostomy Questionnaire (COH-QOL-OQ), validado para o português.
Resultados
Os resultados evidenciaram boa percepção global de qualidade de vida, sustentada principalmente por aspectos psicológicos, sociais e espirituais. Destacaram-se altas médias para privacidade em casa (8,9), razão para estar vivo (8,4) e sentimentos de paz interior e esperança (7,6), indicando forte adaptação emocional e senso de propósito. O apoio religioso (7,1) também se mostrou relevante. Em contrapartida, observaram-se limitações físicas, incerteza quanto ao futuro (7,1) e impacto significativo na intimidade (3,4), além de dificuldades relacionadas à privacidade ao viajar (5,4) e percepção neutra quanto a mudanças positivas com a estomia (5,5). Houve variabilidade importante entre respostas, especialmente em aspectos sociais e íntimos, sugerindo experiências heterogêneas entre os pacientes.
Conclusão
Conclui-se que, apesar da adaptação global satisfatória, persistem desafios físicos e psicossociais que impactam o bem-estar. Intervenções voltadas ao fortalecimento físico, manejo da dor e suporte emocional são fundamentais para minimizar essas dificuldades. A pré-demarcação da estomia destaca-se como componente relevante no cuidado integral, favorecendo a reabilitação e a promoção da qualidade de vida.
Informações de Apresentação