Status
Aprovado
Submetido em
05/05/2026
Autores
L
Laura Moreira Teixeira
Autor Principal
Beatriz Hosana Biasi
Luiz Rodrigo de Souza Papacosta
André Telles de Albuquerque Lima
Introdução
A neoplasia maligna de bexiga (NMB) apresenta elevada relevância na urologia oncológica, estando associada a importante morbimortalidade e impacto nos sistemas de saúde. Trata-se de uma doença de comportamento heterogêneo, com variações quanto à incidência, prognóstico e desfechos clínicos, influenciadas por fatores demográficos, ambientais e pelo acesso aos serviços de saúde. No Brasil, o monitoramento de indicadores por meio de bases nacionais permite compreender padrões epidemiológicos e desigualdades regionais.
Objetivos
Analisar o perfil epidemiológico dos óbitos por neoplasia maligna de bexiga no Brasil, no período de 2018 a 2025, com ênfase na distribuição temporal e regional.
Métodos
Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/DATASUS). Foram incluídos todos os registros de óbitos hospitalares por neoplasia maligna de bexiga, segundo a CID-10, no período de janeiro de 2018 a dezembro de 2025, no Brasil. As variáveis analisadas compreenderam distribuição por macrorregião geográfica, frequência anual de óbitos e taxa de mortalidade hospitalar. Os dados foram organizados e analisados por estatística descritiva, com comparação temporal e regional dos indicadores.
Resultados
Entre 2018 e 2025, registraram-se 172.431 internações por NMB no Brasil, evidenciando um aumento progressivo de 59,9% no volume de pacientes, passando de 16.966 casos em 2018 para 27.132 em 2025. A região Sudeste concentrou a maioria expressiva das admissões com 97.310 registros, o que representa aproximadamente 56,4% do total nacional. No mesmo período, ocorreram 10.364 óbitos, sendo este indicador também liderado pela região Sudeste (5.592 mortes). Houve um crescimento no número absoluto de mortes, que evoluiu de 1.054 (2018) para 1.487 (2025) no país. A taxa de mortalidade geral do período foi de 6,01%, contudo, destaca-se a região Norte, que apresentou o maior índice do país (9,84%), a despeito de possuir o menor número absoluto de internações (3.608). A média nacional de permanência hospitalar totalizou 4,3 dias, demonstrando uma redução contínua de 4,9 dias (2018) para 4,0 dias (2025). Corroborando os achados de letalidade, a região Norte também apresentou o maior tempo médio de internação (6,9 dias) em comparação ao restante do país.
Conclusão
Houve aumento expressivo de internações e óbitos por NMB no Brasil, predominantemente no Sudeste. Evidenciou-se grave disparidade regional: a região Norte, mesmo com o menor volume de admissões, apresentou a maior taxa de mortalidade e o maior tempo de internação, sugerindo falhas estruturais no acesso ao diagnóstico precoce e tratamento. A redução geral na permanência e na mortalidade nacional ao longo do tempo aponta para possível otimização da gestão hospitalar no SUS. Por basear-se em dados secundários (sujeitos a subnotificações), estas conclusões são epidemiológicas e não definitivas para guiar condutas clínicas diretas, demandando estudos analíticos complementares.
Informações de Apresentação