Status
Aprovado
Submetido em
05/05/2026
Autores
J
João Victor Fonseca Ribeiro
Autor Principal
Vitor Gabriel Gallo de Lima
Elias Albernaz Henriques
Raul Felipe Santos Ribeiro
Hospital HAPVIDA - Analia Franco (SP)
Introdução
As hérnias inguinais constituem uma das patologias cirúrgicas mais prevalentes em homens, sendo o conteúdo herniário habitualmente composto por omento ou alças intestinais. A herniação vesical ocorre em apenas 1–3% dos casos, enquanto a extensão vesicoescrotal representa apresentação ainda mais rara. Em situações extremas, o volume vesical herniado pode ocasionar compressão extrínseca de alças intestinais, obstrução urinária e disfunção orgânica múltipla, configurando quadro potencialmente grave.
Objetivos
Relatar um caso raro de hérnia vesicoinguinoescrotal evoluindo com abdome agudo obstrutivo e injúria renal pós-renal.
Métodos
Paciente masculino, 70 anos, com antecedente de hérnia inguinal bilateral e uso prévio de sonda vesical de demora, admitido no pronto-socorro com dor abdominal em hipogástrio, distensão abdominal, vômitos fecaloides e anúria há aproximadamente 24 horas.
Ao exame físico, apresentava hérnia inguinoescrotal bilateral de grandes proporções, predominando à direita, com conteúdo endurecido à palpação e ausência de sinais flogísticos locais. A sonda vesical apresentava débito mínimo, com relato de ausência de drenagem urinária nas últimas 24 horas.
Os exames laboratoriais evidenciaram leucocitose importante, infecção do trato urinário e injúria renal aguda, de provável causa pós-renal, com creatinina sérica de 6,4 mg/dL e ureia de 230 mg/dL.
Foi iniciada antibioticoterapia de amplo espectro com Piperacilina/Tazobactam após coleta de culturas. A tomografia computadorizada de abdome e pelve demonstrou quadro de suboclusão intestinal secundária à compressão de alças intestinais por bexiga maciçamente herniada para o saco inguinoescrotal, apresentando volume estimado em 3.292 cm³.
O paciente foi encaminhado à unidade de terapia intensiva, sendo realizada passagem de sonda nasogástrica com drenagem imediata de aproximadamente 1.800 mL, evoluindo com melhora clínica do quadro obstrutivo. Após troca da sonda vesical, houve drenagem de cerca de 2.600 mL de urina nos primeiros 30 minutos.
Resultados
O paciente evoluiu com resolução progressiva da suboclusão, melhora da função renal e controle do quadro infeccioso após medidas clínicas e suporte intensivo, sem necessidade de abordagem cirúrgica de urgência. Recebeu alta hospitalar com seguimento ambulatorial conjunto entre Urologia e Cirurgia Geral para programação de correção cirúrgica definitiva.
Conclusão
Apesar de rara, a hérnia inguino- escrotal com conteúdo vesical deve ser considerada como diagnóstico diferencial em pacientes com hérnias inguinais associadas a sintomas urinários. O reconhecimento precoce e a abordagem multidisciplinar são fundamentais para redução de morbidade e prevenção de complicações potencialmente fatais.
Informações de Apresentação