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Trabalho #103  ·  Trabalho Científico
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DUAS FACES DO EXCESSO DE PESO EM ESCOLARES: FENÓTIPOS ANTROPOMÉTRICOS DEFINIDOS PELO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL E PELA RAZÃO CINTURA-ALTURA
Status Aprovado
Submetido em 30/09/2026
Área Temática Obesidade
Autores
J
José Cláudio Garcia Lira Neto1
Autor Principal
Ana Beatriz da Silva Gonçalves1 , Antonio Domingos de Sousa Neto1, Gilmar Costa e Silva Neto1, Larissa Helen Portela Martins Brandão1, Maria Augusta Rocha Bezerra1
1 Universidade Federal do Piauí
Introdução
O índice de massa corporal (IMC) é o principal critério de rastreamento do excesso de peso infantil, mas não informa onde a gordura se acumula. A razão cintura-altura (RCA), que estima a adiposidade central, é marcador complementar de risco cardiometabólico. Crianças com o mesmo diagnóstico pelo IMC podem, portanto, ter perfis de risco distintos, que o rastreamento escolar convencional não diferencia.
Objetivos
Estimar a prevalência de fenótipos antropométricos definidos pela combinação do IMC com a RCA e analisar fatores associados ao excesso de peso em escolares de seis a dez anos.
Métodos
Estudo transversal, relatado conforme o STROBE, realizado entre março e maio de 2026 em seis escolas (três públicas e três privadas) da zona urbana de Floriano, Piauí. A amostra foi estratificada por rede de ensino, com tamanho mínimo calculado de 270 escolares. Os responsáveis responderam a questionário sobre características sociodemográficas, sono, alimentação e uso de telas, e pesquisadora treinada aferiu peso, estatura e circunferência da cintura segundo protocolo do Ministério da Saúde. O IMC para idade foi classificado pelas referências da Organização Mundial da Saúde (2007) em sem excesso de peso ou excesso de peso (sobrepeso e obesidade), e a RCA foi considerada elevada quando ≥0,50. A combinação dos dois critérios gerou quatro fenótipos: sem excesso de peso e RCA normal; sem excesso de peso e RCA elevada; excesso de peso e RCA normal; e excesso de peso e RCA elevada. As prevalências foram estimadas com intervalo de confiança de 95% (IC95%), e a discordância entre os critérios foi avaliada pelo teste de McNemar. Os fatores associados ao excesso de peso foram estimados por regressão logística múltipla, com variáveis sociodemográficas e comportamentais. O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa (parecer nº 7.937.681).
Resultados
Das 843 famílias convidadas, 303 autorizaram a participação e tiveram os dados antropométricos coletados. O excesso de peso acometeu 38,3% (IC95%: 33,0–43,9) das crianças. Entre as que tinham excesso de peso, 46,6% (IC95%: 37,7–55,6) não apresentaram adiposidade central. O fenótipo que combinou excesso de peso e RCA elevada acometeu 20,5% (IC95%: 16,3–25,4) da amostra, enquanto a RCA elevada sem excesso de peso foi rara (até 2,6%). A discordância entre os critérios ocorreu predominantemente no sentido de excesso de peso sem adiposidade central (p<0,001). No modelo ajustado, alimentar-se diante de telas associou-se a maior chance de excesso de peso (OR=1,84; IC95%: 1,08–3,14), e estudar na rede pública, a menor chance (OR=0,53; IC95%: 0,30–0,93).
Conclusão
Quase metade das crianças com excesso de peso não apresentou adiposidade central, o que sugere dois fenótipos sob o mesmo diagnóstico pelo IMC. A aferição da cintura, simples e de baixo custo, permite identificar na escola o subgrupo com adiposidade central, cujo risco cardiometabólico presumivelmente maior precisa ser confirmado com marcadores bioquímicos. O hábito de comer diante de telas desponta como alvo modificável para a educação alimentar escolar.
Palavras-chave
Obesidade Infantil; Razão Cintura-Estatura; Índice de Massa Corporal; Saúde Escolar.
Informações de Apresentação
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