Status
Accepted
Submitted on
Oct 3, 2026
Topic Area
Diabetes Mellitus
Authors
F
Felipe Soares Bruno Santos1
Main Author · Apresentador
Antônio André Rosado Rocha Filho1, Marconi Meneses Pimentel Ibiapina do Monte1, Iury Fabrício Rodrigues de Sousa1, Matheus Ivic Cruz Mota1, Elisângela Cláudia Alves de Oliveira1
1 Universidade Federal do Piauí
Introduction
O Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas, resultando em deficiência absoluta de insulina. Nesse contexto, a globulina antitimócito (ATG) tem sido investigada como imunoterapia capaz de modular a atividade dos linfócitos T e, consequentemente, preservar a função beta residual. Entretanto, como seus efeitos podem variar conforme a dose e o momento da intervenção, torna-se necessária uma síntese sistemática das evidências sobre sua eficácia e segurança.
Objectives
Avaliar a eficácia e a segurança da terapia com globulina antitimócito na preservação da função das células beta em pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1.
Methods
Foi realizada revisão sistemática nas bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual em Saúde e Cochrane Library, incluindo estudos publicados entre 2016 e 2026. Foram utilizados descritores relacionados ao Diabetes Mellitus tipo 1 e à globulina antitimócito, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. A seleção foi conduzida por dois revisores independentes, conforme o PRISMA 2020. Incluíram-se estudos clínicos e observacionais com pacientes em diferentes estágios da doença, submetidos à ATG em diferentes doses e tempos de administração. Os desfechos incluíram preservação da função beta, controle glicêmico, progressão da doença, segurança e parâmetros imunológicos.
Results
Foram identificados 236 registros, dos quais 72 duplicatas foram removidas. Após a triagem de 164 registros, 21 artigos foram avaliados na íntegra, sendo 7 incluídos na síntese final. Os resultados evidenciaram diferenças na eficácia e no perfil de segurança da ATG conforme a dose administrada. A dose de 6,5 mg/kg, administrada ao longo de 4 dias, não preservou significativamente a função das células beta na população geral 12 e 24 meses após a administração, embora tenha apresentado benefício em participantes de 22 a 35 anos (p = 0,026). Em contraste, a dose de 2,5 mg/kg, administrada ao longo de 2 dias, promoveu maior preservação da função das células beta, com diferenças no peptídeo C 12 e 24 meses após o início do estudo (p = 0,0003 e p = 0,00005), além de redução da hemoglobina glicada. Na prática clínica, essa dose apresentou resposta metabólica favorável em 68% dos pacientes e, no Estágio 2, retardou em 50% a progressão para o Estágio 3. Imunologicamente, a alta dose induziu a maior depleção linfocitária, enquanto que a baixa dose promoveu alterações tolerogênicas. Quanto à segurança, ambos os esquemas apresentaram eventos adversos, cuja frequência foi maior com a dose elevada, enquanto, na dose reduzida, predominaram eventos leves a moderados e transitórios.
Conclusion
A ATG demonstra potencial imunomodulador e de preservação da função beta no DM1, com resposta dependente do esquema terapêutico e das características clínicas dos pacientes. A menor dose apresentou maior benefício metabólico e melhor tolerabilidade, enquanto a dose elevada esteve associada a maior depleção linfocitária e eventos adversos. Esses achados sustentam a influência da dose e do estágio clínico sobre a resposta à ATG, reforçando a necessidade de individualização do esquema terapêutico.
Palavras-chave
Diabetes Mellitus tipo 1; Globulina Antitimócito; Células Beta Pancreáticas.