Status
Accepted
Submitted on
Oct 3, 2026
Topic Area
Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade
Authors
F
Felipe Soares Bruno Santos1
Main Author · Apresentador
Guilherme Gomes Cerqueira1, Rafael Torres Danda Vasconcelos1, Iury Fabrício Rodrigues de Sousa1, Matheus Ivic Cruz Mota1, Elisângela Cláudia Alves de oliveira1
1 Universidade Federal do Piauí
Introduction
A adolescência é uma fase de intensa aquisição de massa óssea, influenciada, entre outros fatores, pelos esteroides sexuais. Em adolescentes transgêneros, a supressão puberal com agonistas de GnRH reduz temporariamente essa exposição hormonal, podendo modificar a trajetória de aquisição mineral óssea. Nesse contexto, torna-se relevante sintetizar as evidências sobre densidade mineral e acúmulo ósseo durante esse tratamento.
Objectives
Analisar os efeitos da supressão puberal e da terapia hormonal de afirmação de gênero sobre a densidade mineral e o acúmulo ósseo em adolescentes transgêneros.
Methods
Foi realizada uma revisão sistemática nas bases de dados PubMed, Web Of Science e Cochrane Library, incluindo estudos publicados até setembro de 2026, nos idiomas inglês, português e espanhol. Utilizaram-se os descritores "Transgender Persons", "gender diverse", "adolescent", "youth", "Bone Density", "BMD", "BMAD", "bone health", "Puberty Suppression", "GnRHa" e "gender-affirming hormone therapy", combinados pelos operadores booleanos OR e AND. A seleção foi realizada por dois revisores independentes, conforme o PRISMA 2020, com gerenciamento no software Rayyan. Foram incluídos estudos longitudinais, prospectivos ou retrospectivos com adolescentes transgêneros ou de gênero diverso submetidos à supressão puberal com análogos do GnRH (GnRHa), com ou sem terapia hormonal de afirmação de gênero. Avaliaram-se densidade mineral óssea, densidade mineral óssea aparente, conteúdo mineral ósseo e escores-z em coluna lombar, quadril e colo do fêmur.
Results
Foram identificados 330 registros, dos quais 103 duplicatas foram removidas. Após a triagem de 214 estudos por título e resumo, 14 foram analisados integralmente e 11 compuseram esta revisão. Durante a supressão puberal, houve estabilidade ou ganho modesto da massa óssea absoluta, porém redução dos escores-z e dos valores ajustados para altura; na coluna lombar, a redução média foi de 0,69 após 2,3 anos, acompanhada por menor velocidade de aquisição e redução dos marcadores de remodelação. Com a terapia hormonal, o acúmulo mineral foi retomado. Em adolescentes sob testosterona, os escores-z de densidade mineral óssea aparente aproximaram-se de zero após 2 a 3 anos de tratamento, embora alguns sítios ósseos permanecessem abaixo dos valores observados antes da supressão puberal. Sob estrogênio, a recuperação foi mais limitada com doses convencionais, enquanto doses elevadas estiveram associadas a maior recuperação dos parâmetros ósseos, com valores próximos aos níveis pré-supressão. Menor densidade mineral óssea lombar foi observada em adolescentes designados do sexo masculino ao nascimento; maior índice de massa corporal associou-se a maior aquisição óssea, enquanto insuficiência ou deficiência de vitamina D foi frequente e associou-se a menores escores-z.
Conclusion
A supressão puberal reduz a aquisição mineral óssea durante a adolescência, enquanto a terapia hormonal favorece sua recuperação, com magnitude variável conforme o esquema utilizado. Esses achados reforçam a necessidade de monitoramento longitudinal da saúde óssea e de fatores modificáveis, especialmente estado nutricional e vitamina D, durante a afirmação de gênero.
Palavras-chave
Pessoas Transgênero; Supressão da Puberdade; Densidade Mineral Óssea.