Status
Accepted
Submitted on
Oct 3, 2026
Topic Area
Obesidade
Authors
R
Rafael Torres Danda Vasconcelos 1
Main Author · Apresentador
Guilherme Gomes Cerqueira1, Lara Beatriz Barbosa Aires1, Iury Fabrício Rodrigues de Sousa1, Matheus Ivic Cruz Mota1, Elisângela Cláudia Alves de Oliveira1
1 Universidade Federal do Piauí
Introduction
A obesidade associa-se frequentemente à insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (ICFEp) e a maior comprometimento funcional e risco cardiovascular. Nesse contexto, terapias incretínicas, como os agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1RA) e os agonistas duais GIP/GLP-1, têm sido investigadas como estratégias terapêuticas. Contudo, a diversidade dos desfechos reforça a necessidade de consolidar as evidências disponíveis.
Objectives
Avaliar a eficácia, segurança e impacto cardiovascular das terapias incretínicas sobre capacidade funcional, qualidade de vida, peso corporal e desfechos clínicos em adultos com obesidade e ICFEp.
Methods
Foi realizada revisão sistemática conforme o PRISMA 2020 nas bases PubMed, ScienceDirect e Biblioteca Virtual em Saúde, abrangendo estudos publicados entre 2018 e 2026. Utilizaram-se descritores MeSH/DeCS relacionados à obesidade, ICFEp e terapias incretínicas, combinados pelos operadores booleanos “AND” e “OR”. A seleção foi realizada por dois revisores independentes, com divergências resolvidas por um terceiro revisor. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados e coortes de vida real com emulação de ensaio clínico, avaliando terapias incretínicas em adultos com obesidade e ICFEp, independentemente de comorbidades metabólicas. Os desfechos incluíram capacidade funcional, qualidade de vida, peso corporal, marcadores inflamatórios, hospitalização por insuficiência cardíaca, mortalidade, eventos cardiovasculares e eventos adversos.
Results
Foram identificados 582 registros, dos quais 98 duplicatas foram removidas. Após triagem por título e resumo, 28 estudos foram avaliados na íntegra, com 8 incluídos na síntese final. Nos ensaios clínicos randomizados, estudos com semaglutida e tirzepatida demonstraram melhora da qualidade de vida, com aumento de 6,9 a 7,8 pontos no escore de qualidade de vida (p < 0,001), e da capacidade funcional, com aumento de 14,3 a 20,3 metros no teste de caminhada de 6 minutos (p < 0,01), além de redução ponderal de 6,4% a 11,6% (p < 0,001) e da proteína C-reativa de 33% a 39%. No ensaio SUMMIT, a tirzepatida reduziu em 38% o risco de morte cardiovascular ou piora da insuficiência cardíaca (razão de riscos: 0,62; intervalo de confiança de 95%: 0,41–0,95; p = 0,026) e em 56% o risco de hospitalização por insuficiência cardíaca. Nas coortes de vida real, semaglutida e tirzepatida associaram-se a menor risco de hospitalização por insuficiência cardíaca e mortalidade geral, sem diferença na comparação direta. A semaglutida oral também esteve associada à melhora dos sintomas e menor taxa de internações. Semaglutida e tirzepatida apresentaram perfil de segurança favorável, com eventos gastrointestinais como principal causa de descontinuação.
Conclusion
As terapias incretínicas demonstraram benefícios funcionais e cardiometabólicos em adultos com obesidade e ICFEp, associados a um perfil de segurança favorável. Contudo, estudos com seguimento prolongado são necessários para determinar a sustentação desses benefícios e seus efeitos sobre a evolução dos desfechos clínicos.
Palavras-chave
Obesidade; Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Preservada; Agonistas do Receptor de GLP-1.