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Trabalho #117  ·  Trabalho Científico
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Tendência temporal, desigualdades regionais e caráter de atendimento das internações por diabetes mellitus no Brasil, 2015-2024: estudo ecológico com dados do SIH/SUS
Status Aprovado
Submetido em 07/10/2026
Área Temática Diabetes Mellitus
Autores
W
William Lima Dos Reis1
Autor Principal · Apresentador
Mariana Vasconcelos Leite Nogueira1
1 UFPI
Introdução
O diabetes mellitus é uma das principais doenças crônicas não transmissíveis no Brasil, e suas internações refletem a carga sobre o SUS e o desempenho do cuidado ambulatorial. Parte das análises recentes baseia-se em números absolutos, sem padronização por idade, o que limita a comparação entre regiões com estruturas etárias distintas.
Objetivos
Analisar a tendência temporal, as desigualdades regionais (com padronização por idade) e o caráter de atendimento (eletivo ou urgência) das internações por diabetes mellitus no SUS, 2015-2024.
Métodos
Estudo ecológico de série temporal com dados públicos do SIH/SUS, por local de residência, 2015-2024. Incluíram-se internações com diagnóstico principal de diabetes mellitus (CID-10 E10-E14). Calcularam-se taxas por 100 mil habitantes por grande região (população: Projeções do IBGE, Revisão 2024), taxas padronizadas por idade pelo método direto (padrão: população do Brasil no período), proporção de internações de urgência e letalidade hospitalar. A tendência foi estimada por regressão de Prais-Winsten, com variação percentual anual (APC) e IC95%, e repetida com ajuste para 2020-2021. A associação entre região e caráter de atendimento foi avaliada pelo qui-quadrado e V de Cramér. Por utilizar dados públicos, agregados e anonimizados, dispensou-se apreciação ética (Res. CNS 510/2016).
Resultados
Ocorreram 1.336.183 internações e 57.988 óbitos. A taxa nacional foi estacionária (68,4 em 2015; 65,7 em 2024; APC -0,2%; IC95% -1,3; 0,9). Houve aumento no Norte (APC +2,1%; IC95% 0,8; 3,4) e queda no Sul (-2,3%; IC95% -4,2; -0,5); as demais regiões foram estacionárias, com o Sudeste crescente após ajuste para 2020-2021. As taxas padronizadas por idade foram maiores no Norte (104,1/100 mil) e no Nordeste (79,8) e menores no Sudeste (52,3), diferença mais ampla que a das taxas brutas (Norte 76,2; Sudeste 55,3). A urgência representou 94,4% das internações, de 92,3% (Norte) a 96,7% (Centro-Oeste) (χ²=4.000,7; p<0,001; V=0,055), com queda de 94,7% para 93,2% (APC -0,15%; IC95% -0,24; -0,06), mais intensa no Nordeste (-0,38%). A taxa eletiva nacional foi estacionária (APC +2,2%; IC95% -0,3; 4,9; com ajuste para 2020-2021, +2,5%; p=0,003), com aumento no Nordeste (+4,7%) e queda no Sul (-3,7%). A letalidade hospitalar (4,3%) não teve tendência nacional significativa (APC -1,7%; IC95% -3,8; 0,5; com ajuste para 2020-2021, -1,9%; p=0,002), com queda no Nordeste (-2,5%).
Conclusão
A taxa nacional de internações por diabetes manteve-se estável, com tendências regionais divergentes (crescente no Norte, decrescente no Sul) e desigualdade acentuada após padronização por idade, sobretudo no Norte. Predominou a urgência, com queda gradual de sua proporção. Os achados indicam heterogeneidade regional na atenção ao diabetes. Limitações: restrição ao SUS, contagem de internações (não de pessoas), padrão etário interno e desenho ecológico.
Palavras-chave
Diabetes Mellitus; Hospitalização; Disparidades nos Níveis de Saúde; Sistema Único de Saúde; Estudos Ecológicos
Informações de Apresentação
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