Status
Aprovado
Submetido em
08/10/2026
Área Temática
Obesidade
Autores
H
Hermes Pinheiro Albuquerque1
Autor Principal · Apresentador
Tarcísio Rocha Feitosa1, Giovanna Estevam da Silva1, Valentine Santana Moreira Da Fonseca1, Wallace Rodrigues de Holanda Miranda1
1 Universidade Federal do Piauí
Introdução
INTRODUÇÃO: A obesidade representa um dos principais desafios de saúde pública contemporâneos, estando associada ao aumento da morbimortalidade, da utilização de serviços hospitalares e da necessidade de tratamentos especializados, incluindo intervenções cirúrgicas em casos selecionados. Apesar do crescente impacto dessa condição sobre o Sistema Único de Saúde (SUS), ainda são escassas as análises nacionais que avaliam a evolução temporal das internações hospitalares registradas com obesidade como diagnóstico principal e suas disparidades regionais e entre os sexos.
Objetivos
OBJETIVO: Analisar a tendência temporal das internações hospitalares registradas com obesidade como diagnóstico principal no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2016 e 2025, segundo sexo e macrorregião brasileira.
Métodos
MÉTODOS: Estudo ecológico de série temporal realizado com dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), obtidos por local de residência. Foram incluídas internações associadas à obesidade registradas no Brasil entre 2016 e 2025. As taxas anuais de internação foram calculadas por 100.000 habitantes utilizando projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como denominador. As análises foram estratificadas por sexo e macrorregião geográfica. A tendência temporal foi avaliada por regressão linear simples, adotando-se nível de significância de 5%.
Resultados
RESULTADOS: A taxa nacional de internação associada à obesidade aumentou de 5,99 para 7,92 internações por 100.000 habitantes entre 2016 e 2019, correspondendo a incremento de 32,3% e tendência crescente significativa (β=0,654; IC95%=0,559–0,748; p=0,001). Durante o período da pandemia de COVID-19 observou-se redução acentuada das taxas, seguida por retomada progressiva, alcançando 8,54 internações por 100.000 habitantes em 2025. Entre 2021 e 2025, verificou-se aumento de 305,0%, com tendência crescente significativa (β=1,605; IC95%=1,339–1,872; p<0,001). As mulheres apresentaram taxas superiores às dos homens durante todo o período analisado. No pós-pandemia, as taxas femininas aumentaram 306,6% (β=2,756; p<0,001), enquanto entre os homens o aumento foi de 291,0% (β=0,394; p=0,001), evidenciando crescimento mais acelerado no sexo feminino. Adicionalmente, observaram-se importantes desigualdades regionais, com predomínio das maiores taxas de internação na região Sul ao longo da série histórica.
Conclusão
CONCLUSÃO: As internações registradas com obesidade como diagnóstico principal apresentaram tendência crescente no Brasil, interrompida temporariamente durante a pandemia de COVID-19 e seguida por expressiva retomada nos anos subsequentes. O crescimento mais intenso entre mulheres e a persistência de desigualdades regionais reforçam a necessidade de fortalecer ações de prevenção, manejo clínico e monitoramento da obesidade no SUS. Os resultados devem ser interpretados considerando as limitações do SIH/SUS na captação de diagnósticos secundários, o que pode fazer com que os registros reflitam predominantemente hospitalizações relacionadas ao tratamento da obesidade, incluindo procedimentos bariátricos.
Palavras-chave
Obesidade; Hospitalização; Sistema Único de Saúde; Estudos Ecológicos; Sistemas de Informação em Saúde
Informações de Apresentação