EndoPiauí 2026
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Trabalho #135  ·  Trabalho Científico
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Repercussões endocrinometabólicas da cirurgia hipofisária: uma revisão integrativa
Status Aprovado
Submetido em 10/10/2026
Área Temática Neuroendocrinologia
Autores
M
Melissa Simone De Lima Sousa1
Autor Principal · Apresentador
Wallace Rodrigues de Holanda Miranda2
1 Centro Universitário Uninovafapi - Afya
2 Universidade Federal do Piauí
Introdução
A glândula hipófise é constituída pela adeno-hipófise e pela neuro-hipófise, estruturas integradas ao hipotálamo. Enquanto a adeno-hipófise sintetiza e secreta hormônios, a neuro-hipófise armazena e libera a vasopressina e a ocitocina, o que permite a manutenção da homeostase, regulando processos como crescimento, reprodução, ciclo menstrual, equilíbrio hidroeletrolítico e resposta ao estresse. Tumores hipofisários podem comprometer esses mecanismos e, consequentemente, sua abordagem cirúrgica pode resultar em alterações da função hipofisária e da comunicação hipotálamo-hipofisária. Nesse contexto, embora a cirurgia hipofisária seja fundamental para o tratamento de diversas lesões da região selar, a manipulação da hipófise e das estruturas adjacentes pode ocasionar alterações hormonais, hidroeletrolíticas e metabólicas, que podem ser transitórias ou permanentes.
Objetivos
Identificar as repercussões endócrinas e metabólicas decorrentes de cirurgias hipofisárias.
Métodos
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada na base de dados PubMed/MEDLINE. Foram incluídos artigos publicados entre 2022 e 2026, nos idiomas inglês e portugues, que abordassem as manifestações endócrinas e metabólicas de diferentes técnicas cirúrgicas hipofisárias. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, treze estudos compuseram a análise.
Resultados
As principais repercussões pós-operatórias foram alterações da função neuro-hipofisária, adenohipofisária, hidroeletrolítica e metabólica. A deficiência de vasopressina/diabetes insípido foi uma das complicações mais frequentes, com incidência entre 9% e 49%, associada principalmente à tração ou lesão da haste hipofisária, enquanto a Síndrome da Secreção Inapropriada do Hormônio Antidiurético (SIADH), ocasionada pelo extravasamento e liberação de ADH, o que resulta na hiponatremia tardia, constituíram importantes causas de readmissão hospitalar não planejada. Também foram identificadas alterações adenohipofisárias, com insuficiência adrenal transitória em 84,5% e permanente em 15,5% dos pacientes submetidos à cirurgia para adenomas hipofisários não funcionantes, além de alterações permanentes dos eixos tireotrófico em 1,6% a 24,3% dos casos, assim como disfunções nos hormônios gonadotrófico e somatotrófico. Em relação aos desfechos metabólicos, observou-se aumento do IMC de 25,50 para 27,27 kg/m² em pacientes com craniofaringioma. A abordagem endoscópica associou-se a menor chance de novo hipopituitarismo (aOR=0,384) em comparação à craniotomia. Além disso, a restrição hídrica pós-operatória reduziu a ocorrência de hiponatremia grave de 7,4% para 0% e as readmissões hospitalares de 6,4% para 1,6%.
Conclusão
As cirurgias hipofisárias podem ocasionar repercussões endócrinas, hidroeletrolíticas e metabólicas, transitórias ou permanentes, destacando-se a diabetes insípido, a SIADH e os déficits adeno hipofisários. Também foram observadas alterações pontuais, especialmente em pacientes com comprometimento hipotalâmico. Os achados reforçam a importância do acompanhamento hormonal e metabólico no pós-operatório, bem como da adoção de estratégias preventivas, como a restrição hídrica individualizada, para reduzir complicações e readmissões.
Palavras-chave
Cirúrgia Hipofisária; Repercussões Endócrinas; Repercussões Metabólicas; Hipofíse.
Informações de Apresentação
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