Status
Aprovado
Submetido em
10/10/2026
Área Temática
Tireoide
Autores
A
Arnnon Araújo Lacerda1
Autor Principal · Apresentador
Francisco das Chagas Araújo Sousa1
1 Universidade Estadual do Piauí - UESPI
Introdução
O câncer de tireoide é a neoplasia endócrina mais frequente. Nessa doença, internações e óbitos retratam dimensões distintas: a demanda sobre os serviços e o desfecho. Por isso, a leitura em conjunto desses indicadores, considerando ajuste por idade e comparação entre territórios, ajuda a dimensionar o cuidado endocrinológico necessário. Dessa forma, situar o Piauí nesse cenário, frente ao Nordeste e ao Brasil, pode orientar o planejamento local.
Objetivos
Descrever as internações e os óbitos por câncer de tireoide no Piauí entre 2015 e 2024, seu perfil sociodemográfico e suas taxas ajustadas por idade, em comparação com as do Nordeste e do Brasil.
Métodos
Estudo observacional retrospectivo, com análise ecológica de taxas, baseado em dados públicos do SIH/SUS (AIH-RD normais com diagnóstico principal C73) e do SIM (causa básica C73), segundo a residência, nas 27 unidades federativas. Calcularam-se frequências por sexo, idade e raça/cor e taxas por 100 mil habitantes padronizadas por idade (padrão de Segi e Doll; populações do IBGE, revisão 2024) para 2015-2019 e 2020-2024. Em seguida, estimaram-se as razões de taxas padronizadas do Piauí em relação às do Nordeste e do Brasil, com IC95% (variância de Poisson; método gama de Fay e Feuer), considerando que ambas as referências incluem o Piauí. Ressalta-se que, por utilizar exclusivamente dados públicos agregados, sem identificação individual, o presente estudo dispensa apreciação ética, conforme orientado pela Resolução CNS nº 674/2022, art. 26.
Resultados
Entre 2015 e 2024, o Piauí registrou 1.688 internações e 178 óbitos por câncer de tireoide (Nordeste: 44.096 e 2.612; Brasil: 122.339 e 8.612). Nas internações piauienses, 84,2% foram de mulheres, 43,1% de pessoas de 40 a 59 anos e 88,3% de raça/cor parda. A taxa padronizada por idade foi de 4,93 por 100 mil em 2015-2019 e de 3,91 em 2020-2024. No primeiro período, foi menor que a do Nordeste (razão de taxas: 0,66; IC95%: 0,62-0,70) e próxima da brasileira (0,95; 0,89-1,01); no segundo, menor que a nordestina (0,63; 0,59-0,67) e que a brasileira (0,84; 0,78-0,90). Quanto aos óbitos, 70,2% foram de mulheres (Nordeste, 66,8%), 73,0% ocorreram a partir dos 60 anos (Nordeste, 76,1%; Brasil, 76,7%) e 60,1% foram de raça/cor parda. A taxa padronizada de mortalidade foi de 0,45 por 100 mil em 2015-2019 e de 0,35 em 2020-2024. Diferentemente das internações, essa taxa superou a do Nordeste (1,29; 1,05-1,58) e a do Brasil (1,52; 1,23-1,87) no primeiro período e se aproximou da nordestina (0,98; 0,79-1,22) e da brasileira (1,19; 0,95-1,48) no segundo.
Conclusão
No Piauí, as internações concentraram-se em mulheres e na meia-idade, os óbitos em idosos, e a raça/cor parda predominou em ambos os registros. A taxa de internação foi inferior à do Nordeste, mas a mortalidade, maior em 2015-2019, depois se aproximou das referências. Desse modo, os indicadores divergem e devem ser acompanhados juntos, e estudos com bases vinculadas e dados de estadiamento podem esclarecer lacunas de acesso e diagnóstico e orientar a atenção por sexo e idade. Todavia, os resultados são descritivos e não inferem letalidade nem atraso diagnóstico.
Palavras-chave
Neoplasias da Glândula Tireoide; Hospitalização; Mortalidade; Disparidades nos Níveis de Saúde; Epidemiologia dos Serviços de Saúde
Informações de Apresentação