Status
Accepted
Submitted on
Oct 10, 2026
Topic Area
Diabetes Mellitus
Authors
P
Pedro Victor Moraes Felismino1
Main Author · Apresentador
Ana Beatriz Diogo Siqueira1, Celso Soares Pereira Filho1
Introduction
A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIANA) pode causar perda visual permanente. Estudos recentes levantaram a possibilidade de associação com agonistas do receptor de GLP-1 (GLP-1RA), mas os resultados permanecem heterogêneos, inclusive em comparações com outros antidiabéticos.
Objectives
Analisar a associação entre o início de GLP-1RA e a ocorrência de NOIANA em adultos com diabetes mellitus tipo 2 (DM2), priorizando estudos de novos usuários com comparadores ativos.
Methods
Revisão integrativa com busca no PubMed/MEDLINE em outubro de 2026, sem restrição temporal. Dos 132 registros identificados, 27 foram avaliados quanto à elegibilidade e nove publicações foram selecionadas: oito estudos observacionais de novos usuários com comparador ativo e uma análise agrupada de ensaios randomizados, usada como evidência complementar. A síntese foi narrativa, sem metanálise, e considerou separadamente as comparações com inibidores de SGLT2 (iSGLT2) e de DPP-4 (iDPP-4), a definição de NOIANA, o seguimento, o risco de viés e a possível sobreposição de coortes. As medidas de efeito (HR, RR, OR e razão de incidências cumulativas) não foram convertidas nem agrupadas.
Results
Nas comparações com iSGLT2, predominaram associações positivas: as estimativas pontuais de HR variaram de 1,85 a 2,81 (Tesfaye et al., Heberer et al. e Simonsen et al.), e Choi et al. encontraram razão de incidências cumulativas de 1,35 (IC95% 1,11–1,51). Em Cai et al., semaglutida versus empagliflozina resultou em HR de 1,44 (0,78–2,68) ou 2,27 (1,16–4,46), conforme a definição diagnóstica de NOIANA. Noh et al. (versus iSGLT2) e Lee et al. (comparadores agrupados; HR 1,86; 0,84–4,09, estimativa positiva e imprecisa) não encontraram associação estatisticamente significativa. Nas comparações com iDPP-4, Noh et al. encontraram RR 2,56 (1,44–4,86) no primeiro ano, ao passo que Gonzalez et al. (OR 1,11; 0,96–1,29) e Cai et al. (versus sitagliptina) não encontraram associação significativa. Os estudos que apresentaram diferenças absolutas indicaram excesso pequeno de casos. As coortes da Veterans Health Administration podem ter participantes sobrepostos. Na análise complementar de Vilsboll et al., houve três casos de NOIANA com GLP-1RA e quatro com placebo, número de eventos muito pequeno para qualquer inferência.
Conclusion
Os estudos de novos usuários identificaram predomínio de estimativas positivas para a associação entre GLP-1RA e NOIANA nas comparações com iSGLT2, enquanto os resultados frente aos iDPP-4 foram menos uniformes. Nos estudos que apresentaram estimativas absolutas, o excesso de casos foi pequeno. As diferenças entre comparadores, critérios diagnósticos e a possível sobreposição de coortes limitam a inferência causal e impedem generalizar o sinal para toda a classe. Na prática clínica, esse possível risco deve ser ponderado diante dos benefícios cardiometabólicos estabelecidos dos GLP-1RA, sem justificar, isoladamente, mudanças generalizadas na conduta terapêutica.
Palavras-chave
Agonistas do receptor de GLP-1; Neuropatia óptica isquêmica; Diabetes mellitus tipo 2; Semaglutida.