EndoPiauí 2026
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Abstract #178  ·  Trabalho Científico
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Câncer de pâncreas e disfunção endócrina: tendências epidemiológicas no Brasil e no Piauí entre 2016 e 2026 e evidências sobre alterações metabólicas associadas à doença.
Status Accepted
Submitted on Oct 10, 2026
Topic Area Outros temas da endocrinologia
Authors
R
Rômulo Guilherme Costa de Amorim1
Main Author
Daniel Gonçalves de Carvalho Ribeiro1 , PALLOMA FONTENELE VERAS2, LAYLA RAYSSA SOUSA LIMA1, Ivynna Maria de Sousa Ferreira1, Joana Carolina Viana Lima3
1 UNI-CET
2 UNIFSA
3 Mestre Medicina Tropical - FIOCRUZ PI
Introduction
As neoplasias malignas do pâncreas, especialmente o adenocarcinoma ductal, representam importante problema de saúde pública pela elevada letalidade e pelo diagnóstico tardio. Sob a perspectiva endocrinológica, destaca-se sua associação com o diabetes mellitus de início recente, que pode atuar como fator de risco ou manifestação precoce da doença, envolvendo disfunção das células beta, alterações na secreção insulínica e resistência à insulina.
Objectives
Analisar as tendências epidemiológicas das neoplasias malignas do pâncreas no Brasil entre 2016 e 2026 e investigar, por meio de revisão integrativa, sua relação com alterações endócrinas e metabólicas.
Methods
Estudo ecológico, quantitativo, descritivo e retrospectivo, associado a revisão integrativa. Os dados de internações e óbitos por neoplasia maligna do pâncreas (CID-10 C25) nas regiões brasileiras e nas macrorregiões do Piauí, entre 2016 e 2026, foram obtidos no SIH/SUS e no SIM, seguindo as diretrizes RECORD, e analisados por frequências absolutas e relativas e variação percentual entre 2016 e 2025, no Python 3.13.0. A revisão integrativa foi conduzida no PubMed e Scopus, com os descritores “Pancreatic Neoplasms”, “Diabetes Mellitus” e “Insulin Resistance”, incluindo artigos de 2016 a 2026.
Results
Registraram-se 156.667 internações e 132.224 óbitos. De 2016 a 2025, as internações aumentaram 116,7% e os óbitos, 50,3%, com crescimento em todas as regiões. O Sudeste concentrou 49,6% dos óbitos, e o Norte teve os maiores aumentos proporcionais (+174,0% nas internações e +67,9% nos óbitos). Os óbitos predominaram a partir dos 60 anos (78,6%), com distribuição semelhante entre os sexos. No Piauí, ocorreram 1.234 óbitos, 79,4% em indivíduos com 60 anos ou mais, concentrados na macrorregião Meio Norte (48,9%). Na revisão, o diabetes com menos de dois anos de diagnóstico associou-se a maior risco de câncer pancreático (OR 4,92) do que o de dois a quatro anos (OR 1,92). Em coorte prospectiva com 18.838 adultos com 50 anos ou mais e diabetes recente, a incidência em três anos foi de 0,62%, e a hiperglicemia precedeu o diagnóstico em média oito meses. Perda ponderal (OR 2,49), elevação rápida da glicemia (OR 2,33) e necessidade de insulina (OR 4,91) aumentaram o risco, fundamentando o modelo END-PAC (AUC 0,69–0,87), enquanto a HbA1c isolada mostrou-se insuficiente para rastreamento. Ilhotas de pacientes não diabéticos com adenocarcinoma apresentaram desdiferenciação de células beta e inflamação paraneoplásica.
Conclusion
As internações e os óbitos por neoplasia maligna do pâncreas cresceram expressivamente no Brasil, com predomínio em idosos, padrão também observado no Piauí. O diabetes de início recente, sobretudo após os 50 anos e associado à perda ponderal, pode representar manifestação paraneoplásica precoce, e sua vigilância com modelos de estratificação de risco constitui estratégia promissora para o diagnóstico precoce.
Palavras-chave
Neoplasias Pancreáticas; Diabetes Mellitus; Resistência à Insulina; Epidemiologia; Diagnóstico Precoce.
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