Status
Accepted
Submitted on
Oct 16, 2026
Topic Area
Obesidade
Authors
A
Ana Beatriz Martins Galvão Benício 1
Main Author · Apresentador
Maria Heloísa Borges Lelis Coutinho1, Murilo Vitor Quaresma Castelo Branco2, Paulo Henrique de Melo Filho3
1 UNICET
2 FACID
3 Orientador
Introduction
A semaglutida, agonista do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1, propicia a perda expressiva em adultos com obesidade. Contudo, a obesidade é uma doença crônica e recidivante, e a interrupção do tratamento, seja por custo, acesso, eventos adversos ou decisão do paciente, é frequente na prática clínica. Os motivos que geram o reganho de peso após a suspensão ainda são pouco esclarecidos. Objetivo: Sintetizar criticamente as evidências disponíveis sobre o reganho de peso após a descontinuação da semaglutida em adultos com obesidade.
Objectives
Sintetizar criticamente as evidências disponíveis sobre o reganho de peso após a descontinuação da semaglutida em adultos com obesidade.
Methods
Foi realizada uma revisão narrativa com buscas nas bases PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science e Cochrane Library. Foram considerados elegíveis ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais em adultos com obesidade, que avaliaram o peso corporal após a suspensão da semaglutida em idiomas inglês e português. Foram identificados 11 registros, dos quais 5 foram selecionados para leitura completa e 4 foram incluídos. Os principais motivos de exclusão foram a ausência de avaliação do peso após a suspensão, uso de outros fármacos.
Results
Foram incluídos quatro estudos: STEP 4 (Rubino et al., 2021; ensaio clínico randomizado), extensão do STEP 1 (Wilding et al., 2022), Jensterle et al. (2024; estudo observacional com mulheres com SOP) e Erlandson et al. (2026; estudo com pessoas vivendo com HIV). Os estudos demonstraram recuperação ponderal após a suspensão da semaglutida, embora a magnitude variasse conforme a população e o período de acompanhamento. Na extensão do STEP 1, os participantes recuperaram 11,6 pontos percentuais do peso corporal inicial, equivalentes a aproximadamente dois terços da perda obtida durante o tratamento. No estudo de Jensterle et al., houve recuperação de aproximadamente um terço do peso perdido após dois anos. Também foram observadas alterações desfavoráveis em parâmetros cardiometabólicos, incluindo regressão de melhorias glicêmicas e lipídicas e, em alguns estudos, evolução desfavorável da pressão arterial e da circunferência abdominal. Entretanto, os parâmetros avaliados e a magnitude das alterações diferiram entre os estudos. Nenhum dos estudos avaliou diretamente os fatores preditores do reganho de peso; mecanismos como alterações nos níveis de leptina e grelina e no gasto energético permanecem hipóteses fisiopatológicas não testadas diretamente nos estudos incluídos.
Conclusion
A suspensão da semaglutida pode ser seguida de recuperação ponderal e reversão parcial dos benefícios cardiometabólicos, com alterações em parâmetros como pressão arterial, perfil lipídico e controle glicêmico, embora os resultados variem entre os estudos. O número limitado de estudos, a heterogeneidade das populações e dos períodos de seguimento e as diferenças nos desenhos metodológicos restringem a comparação dos resultados e impedem estabelecer com segurança os fatores preditores do reganho de peso. Sendo, assim, necessários ensaios com amostras maiores e seguimento prolongado para firmar os fatores associados ao reganho ponderal e suas repercussões cardiometabólicas.
Palavras-chave
Semaglutida; Obesidade; Reganho de peso.