Introdução
As tendências agregadas da obesidade podem ocultar diferenças entre homens e mulheres e variações geográficas relevantes. Em Teresina, ainda é pouco caracterizada a evolução do diferencial de prevalência em relação às demais capitais nordestinas.
Objetivos
Avaliar se a tendência temporal do diferencial de prevalência de obesidade entre Teresina e as demais capitais nordestinas, de 2006 a 2021, diferiu segundo sexo; descrever exploratoriamente os resultados de 2023 e 2024.
Métodos
Estudo transversal repetido com microdados harmonizados do Vigitel. Na análise principal (2006–2021), a obesidade foi definida por IMC ≥30 kg/m², com imputação de peso/altura quando aplicável. Estimaram-se prevalências ponderadas por pesorake2025, padronizadas por idade e sexo na população total e por idade nas análises estratificadas, usando a distribuição ponderada de 2024 como padrão fixo. Teresina foi comparada à média das outras oito capitais nordestinas, com igual peso por capital. A tendência do diferencial absoluto de prevalência (Teresina menos referência) foi estimada por regressão ponderada pelo inverso da variância, com erros-padrão Newey–West/HAC(1). A interação sexo×tempo correspondeu ao contraste formal das inclinações. Análises de sensibilidade utilizaram referência regional ponderada pela população e exclusão de 2020–2021. As edições de 2023–2024 foram avaliadas separadamente devido ao redesenho da amostragem telefônica.
Resultados
Na população total, não houve evidência de tendência do diferencial (β=−0,02 ponto percentual [pp]/ano; IC95% −0,09 a 0,04). Entre homens, as prevalências em Teresina foram 11,5% em 2006 e 23,8% em 2021, ante 13,7% e 22,1% na referência; a tendência do diferencial foi +0,12 pp/ano (IC95% 0,04 a 0,20). Entre mulheres, foram 12,2% e 18,6% em Teresina, ante 13,7% e 23,5% na referência, com tendência de −0,14 pp/ano (IC95% −0,26 a −0,02). A interação sexo×tempo foi +0,26 pp/ano (IC95% 0,09 a 0,43; p=0,002). Com referência populacional, foi +0,21 pp/ano (p=0,017); excluindo-se também 2020–2021, +0,18 pp/ano (p=0,060). Exploratoriamente, os diferenciais em 2023 foram −3,4 pp entre homens e −1,8 pp entre mulheres; em 2024, +0,3 e −7,9 pp, respectivamente.
Conclusão
Entre 2006 e 2021, as tendências do diferencial regional da obesidade foram distintas segundo sexo, apesar do aumento da prevalência em ambos os grupos e da ausência de tendência detectável na análise agregada. Os resultados exploratórios de 2023–2024 foram heterogêneos e, dada a alteração do desenho amostral, não comprovam persistência dessa interação.