Status
Aprovado
Submetido em
16/10/2026
Área Temática
Diabetes Mellitus
Autores
M
Marianna Letícia Sousa Vilarinho1
Autor Principal · Apresentador
José Alberto Rosado Gomes1, Mara Beatriz Paz Cavalcante1, Martha Waleska Melo Rocha1, Aldenora Maria Ximenes Rodrigues1, Camila Emanuelle da Silva Ferreira1
Introdução
O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica caracterizada por hiperglicemia crônica, de elevado impacto na saúde pública e integra a lista de Condições Sensíveis à Atenção Primária à Saúde, uma vez que o acompanhamento adequado pode reduzir hospitalizações por determinadas complicações. A análise temporal dessas internações permite identificar mudanças no perfil da demanda hospitalar e nos indicadores assistenciais, contribuindo para compreender a evolução desse agravo e subsidiar o planejamento das ações de saúde.
Objetivos
Analisar a tendência temporal das internações por DM no Sistema Único de Saúde (SUS) no Piauí entre 2015 e 2025.
Métodos
Estudo ecológico de série temporal com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), por local de residência, para a categoria Diabetes mellitus (CID-10 E10–E14). As taxas de internação por 10 mil habitantes foram calculadas por sexo e faixa etária com as estimativas populacionais do Ministério da Saúde. Também foram analisados letalidade hospitalar, tempo médio de permanência, caráter do atendimento e custo médio por internação (valores nominais). A tendência foi estimada por regressão de Prais-Winsten, com variação percentual anual (VPA) e intervalo de confiança de 95% (IC95%).
Resultados
Foram registradas 34.067 internações por DM, 54,8% em mulheres e 59,0% em pessoas com 60 anos ou mais; 98,6% ocorreram em caráter de urgência. A taxa de internação caiu de 13,2 para 6,5 por 10 mil habitantes (VPA: −6,3%; IC95%: −7,4 a −5,2), com queda mais acentuada entre mulheres (−8,1%) do que entre homens (−4,3%) e maior entre idosos (60 anos ou mais: 67,1 para 20,5 por 10 mil; VPA: −10,4%) e adultos de 40 a 59 anos (−6,6%). Em menores de 20 anos, a taxa permaneceu estacionária (1,3 para 1,9 por 10 mil; VPA: 3,0%; IC95%: −0,8 a 6,9). Em sentido oposto, aumentaram a letalidade hospitalar (3,2% para 3,5%; VPA: 4,3%; IC95%: 1,2 a 7,5), o tempo médio de permanência (4,4 para 6,0 dias; VPA: 3,8%; IC95%: 1,7 a 5,9) e o custo médio por internação (R$ 426 para R$ 658; VPA: 5,1%; IC95%: 3,3 a 7,0), de modo que o gasto anual total permaneceu estável (R$ 17,4 milhões no período; VPA: −1,2%; IC95%: −3,9 a 1,5).
Conclusão
As internações por DM no Piauí diminuíram no período, mas os casos internados passaram a apresentar maior letalidade, permanência e custo, e quase todos ingressaram pela urgência. Embora a redução possa refletir, em parte, mudanças no acesso hospitalar, inclusive durante a pandemia de covid-19, esse padrão sugere persistência do descontrole glicêmico e reforça a necessidade de fortalecer o acompanhamento na atenção primária e de investigar novas alternativas terapêuticas.
Palavras-chave
Diabetes Mellitus; Hospitalização; Estudos de Séries Temporais; Sistemas de Informação Hospitalar; Atenção Primária à Saúde.
Informações de Apresentação