Status
Aprovado
Submetido em
16/10/2026
Área Temática
Diabetes Mellitus
Autores
A
Ana Beatriz Ferreira Coelho1
Autor Principal · Apresentador
Camila Emanuelle da Silva Ferreira1, André Furtado do Rêgo1, Aldeidia Pereira de Oliveira1, Daniel Dias Rufino Arcanjo1, Maria do Carmo de Carvalho e Martins1
Introdução
O diabetes mellitus (DM) é um distúrbio caracterizado pela hiperglicemia crônica, condição que contribui para o desenvolvimento de complicações, incluindo neuropatia e nefropatia. Compostos bioativos têm sido investigados como agentes auxiliares no tratamento do DM, e a 6-metil-5-hepten-2-ona (sulcatona), monoterpeno volátil com atividades antioxidantes nas doses de 50, 75 e 100 mg/kg. Apesar desses resultados, não há estudos publicados sobre seu possível efeito na glicemia.
Objetivos
Analisar o efeito anti-hiperglicemiante agudo da sulcatona em ratos machos wistar normais.
Métodos
Trata-se de estudo experimental realizado com 25 ratos machos (180 a 200 g) da linhagem Wistar (Rattus norvegicus), normoglicêmicos, em jejum noturno (12-18 h) e distribuídos aleatoriamente em sete grupos. O grupo controle (C; n = 5) recebeu por via oral (gavagem) o veículo, composto por Tween e água. O grupo glicose (GLI; n = 4) recebeu o mesmo veículo e, 30 minutos depois, solução de glicose a 50% (500 mg/mL) por gavagem. Os demais grupos seguiram esse mesmo protocolo e receberam no tempo 0 metformina na dose de 300 mg/kg (n = 4) ou sulcatona nas doses de 25, 50, 75 e 100 mg/kg (n = 3 por dose), seguidas da glicose aos 30 minutos. O volume das soluções administradas em todos os animais foi de 0,5 mL a cada 100 gramas do rato. A glicemia capilar foi aferida no tempo 0 e 30, 60, 90 e 120 minutos após cada tratamento, em amostras de sangue obtidas por punção da extremidade da cauda e analisadas com tiras reagentes On Call Plus®. A resposta glicêmica foi quantificada pela área sob a curva (ASC) da glicose. Os resultados foram expressos como média ± desvio padrão. As ASC foram comparadas por one-way ANOVA, e as glicemias ao longo do tempo, por two-way ANOVA com medidas repetidas. Nas duas análises, aplicou-se o pós-teste de Dunnett, com o grupo GLI como referência e nível de significância de 5%. As análises foram realizadas no software GraphPad Prism®, versão 8.0.2. O projeto foi aprovado pela CEUA/UFPI (900/2026).
Resultados
A administração de sulcatona na dose de 50 mg/kg reduziu em 24,4% a ASC da glicose em relação ao grupo GLI (12,2 ± 1,2 vs. 16,1 ± 856 mg/dL·min; p=0,001) e atenuou o pico hiperglicêmico, com glicemia 32,8% menor aos 30 minutos (118,3 ± 5,5 vs. 176,0 ± 22,0 mg/dL; p<0,0001), e manteve valor médio de glicemia 31,3% menores aos 60 minutos (105,7 ± 13,6 vs. 153,8 ± 18,8 mg/dL; p<0,001) e 28,1% menores aos 90 minutos (86,3 ± 18,0 vs. 120,0 ± 11,5 mg/dL; p=0,015). As doses de 25 mg/kg, 75 mg/kg e 100 mg/kg não modificaram a ASC de forma significativa em relação ao grupo GLI. Na curva glicêmica, as doses de 75 e 100 mg/kg reduziram a glicemia apenas aos 30 minutos, em 20,6% (139,7 ± 37,3 mg/dL; p=0,007) e em 20,3% (140,3 ± 25,5 mg/dL; p=0,009), respectivamente. A redução da ASC obtida com a sulcatona 50 mg/kg (24,4%) foi semelhante à promovida pela metformina 300 mg/kg (27,3%; 11.719 ± 1.156 mg/dL·min; p<0,001 vs. GLI), e as duas não diferiram entre si (p=0,63).
Conclusão
A sulcatona, na dose de 50 mg/kg, apresentou efeito anti-hiperglicemiante agudo em ratos Wistar machos normoglicêmicos submetidos à sobrecarga oral de glicose.
Palavras-chave
Sulcatona; 6-METIL-5-HEPTEN-2-ONA; Diabetes Mellitus; Teste de Tolerância a Glucose.
Informações de Apresentação