Status
Accepted
Submitted on
Oct 16, 2026
Topic Area
Obesidade
Authors
L
Letícia Pires Conde Assunção Sá 1
Main Author
Maria Bethânia Carvalho Damasceno1 , Naya Thays Tavares de Santana1
Introduction
A obesidade infantojuvenil é caracterizada pelo acúmulo excessivo e anormal de gordura corporal, sendo reconhecida como uma epidemia global do século XXI. Nas últimas décadas, o padrões alimentares e o aumento do sedentarismo impulsionaram a elevação substancial da prevalência dessa condição em crianças e adolescentes no mundo. O Brasil destaca-se na América Latina pelo aumento contínuo do excesso de peso nessa população, atingindo taxas preocupantes que geram expressivo impacto financeiro e assistencial, além de prejuízos ao desenvolvimento saudável de crianças e jovens no território nordestino.
Objectives
Analisar tendência temporal da prevalência de obesidade infantojuvenil no Nordeste entre 2020 e 2026, avaliando indicadores antropométricos, distribuição demográfica e variações estaduais.
Methods
Por meio de um estudo ecológico descritivo, transversal e quantitativo, com dados obtidos no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), disponibilizados pelo DataSUS/TABNET. Foram incluídos registros de acompanhamento nutricional de residentes nos nove estados do Nordeste, abrangendo crianças e adolescentes (0 a 19 anos) atendidos na Atenção Primária à Saúde. As variáveis analisadas compreenderam ano de acompanhamento, faixa etária, sexo e Unidade da Federação, utilizando-se o parâmetro do Índice de Massa Corporal por Idade (IMC/I) segundo as curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) Por utilizar dados secundários e públicos de acesso aberto, dispensou-se aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa.
Results
No período de 2020 a 2026, a Região Nordeste registrou um total de 7.420.150 registros antropométricos de crianças e adolescentes (0 a 19 anos) acompanhados na Atenção Primária à Saúde, refletindo a expansão da cobertura do SISVAN. A prevalência regional de obesidade infantil e juvenil apresentou uma nítida curva ascendente, partindo de 11,5% em 2020, devido a pandemia covid,— e alcançando uma taxa estimada de 15,4% em 2026 para o público de 5 a 19 anos. Entre as faixas etárias avaliadas, os adolescentes (10 a 19 anos) concentraram o maior incremento percentual no período, com a proporção de casos confirmados de obesidade passando de 10,2% para 14,1%. Quanto à distribuição sociodemográfica por sexo nos nove estados nordestinos, observou-se que no sexo masculino apresentaram maior proporção de diagnósticos de obesidade grave (5,8%), enquanto no sexo feminino houve predomínio de sobrepeso (17,6%). No tocante à variação entre os entes federados, a Bahia, Pernambuco e o Ceará concentraram os maiores volumes absolutos. Contudo, estados como Maranhão, Piauí e Paraíba destacaram-se pelas maiores taxas relativas, evidenciando uma disseminação capilarizada do excesso de peso pela região.
Conclusion
A obesidade infantil e juvenil representa expressivo desafio de saúde pública no Nordeste entre 2020 e 2026, refletindo a expansão contínua da condição e a necessidade de fortalecimento das ações de prevenção e controle na infância. A predominância dos diagnósticos em idade escolar e adolescência evidencia a urgência do diagnóstico precoce, sinalizando a necessidade de estratégias específicas de intervenção nutricional e incentivo à prática de atividade física.
Palavras-chave
Obesidade Infantil; Saúde do Adolescente; Epidemiologia; Saúde da Criança; Estudos Longitudinais