Status
Accepted
Submitted on
Oct 16, 2026
Topic Area
Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade
Authors
R
Rafaela Lopes Craveiro 1
Main Author · Apresentador
Rômulo Guilherme Costa de Amorim2, Gabriela Vieira Moreira2, Daniel Gonçalves de Carvalho Ribeiro2, Joana Carolina Viana Lima3
1 UEMA-Caxias
2 UNICET
3 Mestre em Medicina tropical FIOCRUZ PI
Introduction
A infertilidade, ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem proteção, acomete uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento é desigual entre as regiões. Na mulher, a síndrome dos ovários policísticos, as disfunções tireoidianas e a hiperprolactinemia, ao alterarem o eixo hipotálamo-hipófise-ovário, estão entre as principais causas.
Objectives
Analisar o perfil epidemiológico da infertilidade feminina no Piauí, entre 2016 e 2025, correlacionando os achados com as evidências científicas sobre os mecanismos endócrinos envolvidos.
Methods
Estudo ecológico, descritivo e quantitativo, com dados secundários do Departamento de Informática do SUS (DATASUS), obtidos via TABNET. Os registros de internações relacionadas à infertilidade feminina foram extraídos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), conforme a disponibilidade dos registros e a classificação CID-10 correspondente. O período analisado compreendeu janeiro de 2015 a dezembro de 2025, com estratificação pelas macrorregiões de saúde do Piauí. As variáveis incluíram ano, faixa etária, caráter do atendimento, óbitos, média de permanência e valor médio por internação, conforme disponibilidade nos sistemas consultados. Os dados foram tabulados no Microsoft Excel® e analisados no software Python, com cálculo de frequências absolutas e relativas e variação percentual entre 2015 e 2025. Realizou-se ainda revisão da literatura sobre as bases endócrinas da infertilidade feminina, como síndrome dos ovários policísticos e distúrbios tireoidianos. .
Results
Entre 2016 e 2025, foram registradas 245 internações por infertilidade feminina no Piauí. O maior número ocorreu em 2018 (n=41; 16,7%), seguido de 2019 (n=38; 15,5%). Entre 2019 e 2020, as internações caíram 57,9% (de 38 para 16). Entre 2016 (n=17) e 2025 (n=12), a redução foi de 29,4%, e os menores valores da série ocorreram no biênio 2024–2025. Por macrorregião, o Meio Norte concentrou 44,1% das internações (n=108), seguido do Semiárido (37,6%; n=92), do Litoral (13,9%; n=34) e dos Cerrados (4,5%; n=11). A demanda se deslocou ao longo do período. O Meio Norte somou 83 internações entre 2016 e 2019 e não teve registros em 2020. Já o Semiárido concentrou 73,9% de seus registros a partir desse ano. A faixa etária de 30 a 39 anos predominou (71,0%), seguida das faixas de 20 a 29 anos (19,5%) e de 40 a 49 anos (8,8%). Houve registros isolados em mulheres com mais de 60 anos (0,7%), sugestivos de erro de codificação. Dois estabelecimentos responderam por 70,9% das internações: o Hospital Getúlio Vargas (37,1%) e o Hospital Regional Eustáquio Portela (33,8%).
Conclusion
A infertilidade, ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem proteção, acomete cerca de uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva, segundo a OMS. No Brasil, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento é desigual. Na mulher, a síndrome dos ovários policísticos, as disfunções tireoidianas e a hiperprolactinemia, que alteram o eixo hipotálamo-hipófise-ovário, estão entre as principais causas.
Palavras-chave
Infertilidade Feminina; Epidemiologia; Endocrinologia; Saúde Reprodutiva; Piauí.