Status
Accepted
Submitted on
Oct 16, 2026
Topic Area
Endocrinologia Pediátrica
Authors
T
Tallison Caique de Oliveira Barros1
Main Author · Apresentador
Caroline da Paz Lopes de Sousa Silva1, Giselle Cosme Mineiro1, João Joel Sousa Torres1, Gustavo Guerra Oliveira dos Santos2
1 Uninovafapi
2 Hospital Monte Klinikum
Introduction
O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) exige administração contínua de insulina, monitoramento glicêmico e ajustes cotidianos relacionados à alimentação e à atividade física. Quando associado ao transtorno do espectro autista (TEA), esse manejo pode apresentar desafios adicionais relacionados ao processamento sensorial, à comunicação, à seletividade alimentar e à necessidade de previsibilidade. Procedimentos invasivos e dispositivos de monitoramento ou infusão também podem ser difíceis de tolerar, ampliando as demandas sobre familiares e cuidadores. Apesar da relevância clínica dessa associação, as evidências específicas sobre as barreiras e as adaptações do cuidado ainda são limitadas.
Objectives
Analisar as principais barreiras ao manejo do DM1 em crianças e adolescentes com TEA e identificar estratégias que possam favorecer a insulinoterapia, o monitoramento glicêmico e a segurança do cuidado.
Methods
Revisão integrativa da literatura, com buscas nas bases PubMed , BVS e SciELO, abrangendo publicações de 2020 a outubro de 2026. Foram utilizados termos relacionados a diabetes mellitus tipo 1, transtorno do espectro autista, infância, adolescência, insulinoterapia e monitoramento glicêmico, combinados com operadores booleanos. Foram considerados estudos observacionais, qualitativos que abordassem diretamente o manejo do DM1 em indivíduos com TEA, incluindo experiências de pacientes e cuidadores, tecnologias e adaptações do cuidado. Foram excluídos estudos sem relação direta com a população ou com os desfechos de interesse.
Results
Os estudos apontam que a coexistência de DM1 e TEA pode ampliar a complexidade do cuidado cotidiano, especialmente pela necessidade de conciliar as demandas do tratamento com particularidades sensoriais, comportamentais e comunicacionais. Em estudo de métodos mistos, Oser et al. (2020) analisaram 398 publicações on-line de cuidadores e entrevistaram 12 responsáveis por crianças com ambas as condições. Foram identificados sobrecarga emocional, dificuldade em assimilar as numerosas orientações necessárias ao tratamento e desafios escolar. Também foram descritas dificuldades sensoriais relacionadas ao uso de tecnologias, incluindo bombas de insulina, enquanto rotinas estruturadas, estratégias de enfrentamento e apoio entre famílias surgiram como facilitadores. Esses achados reforçam a importância de avaliar individualmente a tolerância aos dispositivos, as necessidades de apoio e as condições familiares e escolares. Entretanto, a escassez de estudos específicos limita a comparação entre estratégias e a determinação de seus efeitos sobre o controle glicêmico.
Conclusion
O manejo do DM1 em crianças e adolescentes com TEA requer abordagem individualizada, que considere as necessidades sensoriais, comunicacionais e comportamentais, sem presumir limitações uniformes ou baixa adesão ao tratamento. A adaptação das orientações, a participação dos cuidadores, a articulação com a escola e a escolha compartilhada de tecnologias podem contribuir para um cuidado mais viável e seguro. São necessários estudos prospectivos que avaliem intervenções específicas e seus efeitos sobre o controle glicêmico, a qualidade de vida e a sobrecarga familiar.
Palavras-chave
Diabetes mellitus tipo 1; Transtorno do espectro autista; Criança; Insulinoterapia; Monitoramento contínuo da glicose.