Status
Accepted
Submitted on
Sep 23, 2026
Topic Area
Tireoide
Authors
D
DIEGO BATISTA DE MONTALVÃO CUNHA1
Main Author · Apresentador
Ruan Everton de Souza Silva2, Josie Haydée Lima Ferreira3
1 Diego Batista de Montalvão Cunha - Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde - UFPI
2 Ruan Everton de Souza Silva - Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde - UFPI
3 Josie Haydée Lima Ferreira - Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde - UFPI, Professora de Microbiologia e Imunologia da UFPI. Pesquisa em bacteriologia médica
Introduction
Nódulos tireoidianos têm prevalência de até 60% na população adulta. Atualmente, o ACR TI-RADS é o padrão ultrassonográfico para indicação de punção aspirativa por agulha fina (PAAF), porém seu valor preditivo positivo é limitado, o que motiva a busca por marcadores complementares. O TSH é um candidato plausível para esse papel, dado seu efeito mitogênico e por ser rotineiramente dosado na avaliação inicial desses pacientes. Ainda assim, estudos que combinaram TSH e TI-RADS carecem de padronização e usualmente dicotomizam o TSH, o que pode resultar na perda de informações de uma variável contínua.
Objectives
Determinar se o TSH sérico contínuo acrescenta valor à estratificação de risco pelo ACR TI-RADS, comparando estratégias binárias de combinação entre TSH e ACR TI-RADS com um modelo multivariável contínuo.
Methods
Foram incluídos 172 adultos submetidos a tireoidectomia total (2021-2024) em dois hospitais terciários afiliados. O ponto de corte ótimo do TSH foi determinado por análise ROC. Desenvolveu-se um modelo multivariável pré-PAAF contínuo (TSH, ACR TI-RADS, idade, sexo, tamanho nodular), validado internamente por bootstrap e comparado, por análise de curva de decisão, ao ACR TI-RADS isolado, ao TSH isolado e a duas estratégias binárias: a Aditiva (PAAF indicada se ACR TI-RADS positivo ou TSH acima do ponto de corte) e a de Reclassificação (TSH acima do ponto de corte eleva o nódulo uma categoria no ACR TI-RADS, recalculando a indicação de PAAF)
Results
A prevalência de malignidade foi de 47,1%. A mediana do TSH foi maior nos nódulos malignos que nos benignos (1,74 vs. 1,31 mIU/L; p<0,01). A AUC do TSH foi 0,652 (IC95% 0,571-0,734), com ponto de corte ótimo de 1,545 mIU/L. O TSH manteve-se preditor independente de malignidade após ajuste (OR=1,67 por mIU/L; IC95% 1,13-2,47; p=0,01), assim como o ACR TI-RADS (OR=4,37; IC95% 2,31-8,24; p<0,01). Os modelos binários elevaram a sensibilidade para 84,0-90,1%, à custa de especificidade. Na análise de curva de decisão, o modelo contínuo apresentou o maior benefício líquido em praticamente toda a faixa de limiares avaliada. Sua AUC, corrigida por bootstrap, foi 0,829.
Conclusion
O modelo multivariável contínuo apresentou o maior benefício líquido, superando as demais estratégias em virtualmente todos os limiares clinicamente relevantes. As estratégias binárias aumentaram a sensibilidade, mas seu benefício clínico ficou restrito a faixas estreitas de limiar. Isso sugere que o valor prático do TSH está menos em um ponto de corte único e mais em sua inclusão contínua em um modelo de escore de risco multivariável. Por se tratar de coorte cirúrgica, potencialmente enriquecida para malignidade, conclui-se que o TSH contínuo agrega valor à estratificação de risco pelo ACR TI-RADS na seleção pré-biópsia, sendo necessária validação externa antes da aplicação clínica.
Palavras-chave
Nódulo da Glândula Tireoide; Tireotropina; Ultrassonografia