Estado
Aprobado
Enviado el
23/09/2026
Área Temática
Tireoide
Autores
W
Williany Ferreira de Souza Moura1
Autor Principal · Apresentador
Gabrielle Castro Sousa1, Isabelle Amorim Melo1, Maria Augusta Rocha Dias2, Diego Batista de Montalvão Cunha (3)3
1 Graduanda em Medicina, UniFacid IDOMED, Teresina, Piauí, Brasil.
2 Médica Residente em Pediatria, Universidade Federal do Piauí (UFPI), Teresina, Piauí, Brasil
3 Médico Endocrinologista. Professor do Curso de Medicina, UniFacid IDOMED, Teresina, Piauí, Brasil; Mestrando em Ciências da Saúde, Universidade Federal do Piauí (UFPI), Teresina, Piauí, Brasil.
Métodos
Paciente do sexo feminino, 26 anos, com diagnóstico de doença de Graves há quatro anos, em uso de metimazol 40 mg e em acompanhamento irregular, foi admitida no serviço de urgência referindo irritabilidade, tremores, perda ponderal, palpitações e diarreia iniciados há duas semanas. Diante da suspeita clínica de crise tireotóxica, procedeu-se à aplicação do escore de Burch-Wartofsky, que totalizou 35 pontos, resultado compatível com crise tireotóxica iminente. Os exames laboratoriais iniciais revelaram TSH indetectável, T4 livre superior a 10 ng/dL, T3 livre de 11,68 pg/mL e contagem absoluta de neutrófilos de 493/mm³ atribuída à agranulocitose induzida pelo metimazol, o qual foi suspenso imediatamente. A coexistência de crise tireotóxica iminente e agranulocitose grave restringiu as opções terapêuticas convencionais e, após deliberação multidisciplinar, optou-se pela plasmaférese terapêutica como estratégia de ponte para tireoidectomia. Foram realizadas três sessões consecutivas de plasmaférese, com redução progressiva do T4 livre, estabilização clínica e recuperação hematológica, com neutrófilos de 6.300/mm³ antes da cirurgia. A tireoidectomia total transcorreu sem intercorrências, com alta no primeiro dia pós-operatório e anatomopatológico confirmando bócio tóxico difuso sem malignidade.
Conclusión
Discussão: A agranulocitose é uma complicação rara e potencialmente grave do uso de tionamidas, exigindo suspensão imediata e contraindicação à reintrodução. Quando associada à tireotoxicose grave, o manejo torna-se particularmente complexo, pois a retirada das tionamidas limita o controle da síntese hormonal justamente em um cenário que exige rápida redução da exposição aos hormônios tireoidianos. Nesse contexto, a plasmaférese pode ser utilizada como medida temporária para reduzir os níveis hormonais circulantes e viabilizar o tratamento definitivo. No presente caso, a plasmaférese promoveu estabilização clínica enquanto a suspensão do metimazol foi acompanhada de recuperação progressiva da contagem de neutrófilos, criando condições hematológicas favoráveis à tireoidectomia. O caso evidencia, portanto, a utilidade da plasmaférese como terapia de ponte em cenário de opções terapêuticas limitadas e reforça a importância da recuperação hematológica antes da abordagem cirúrgica. A abordagem multidisciplinar entre Endocrinologia, Hematologia e Cirurgia foi determinante para o desfecho favorável.
Comentários Finais: Em pacientes com tireotoxicose grave e contraindicação às tionamidas devido à agranulocitose, a plasmaférese pode representar uma estratégia de ponte para o tratamento cirúrgico definitivo. O caso demonstra sua utilidade como medida temporária no controle da tireotoxicose em contexto de limitação terapêutica, reforçando a importância do reconhecimento precoce da agranulocitose, da suspensão imediata das tionamidas e da coordenação multidisciplinar estruturada para o manejo adequado.
Palavras-chave
Plasmaférese; Agranulocitose; Doença de Graves.
Información de la Presentación