Status
Accepted
Submitted on
Sep 26, 2026
Topic Area
Obesidade
Authors
M
Mariane Lustosa1
Main Author · Apresentador
Introduction
As terapias incretínicas, incluindo agonistas do receptor do GLP-1 e agonistas duais GLP-1/GIP, ampliaram significativamente as opções terapêuticas para o manejo da obesidade, promovendo perda ponderal expressiva e efeitos cardiometabólicos favoráveis. Contudo, a redução do peso pode incluir perda de massa livre de gordura, tornando a avaliação da composição corporal e da função muscular relevante para caracterizar a qualidade do emagrecimento.
Objectives
Analisar as alterações de composição corporal associadas às terapias incretínicas e discutir estratégias para preservação musculoesquelética, com ênfase no exercício resistido.
Methods
Foi realizada revisão narrativa da literatura, mediante busca no PubMed por estudos clínicos, revisões sistemáticas, metanálises e documentos de consenso sobre semaglutida, tirzepatida, agonistas do GLP-1, massa magra, composição corporal, sarcopenia e exercício resistido. Foram priorizadas evidências recentes e estudos que utilizaram métodos objetivos de avaliação corporal ou funcional.
Results
Metanálise de 20 ensaios clínicos randomizados, totalizando 15.782 participantes, demonstrou que a massa magra correspondeu a 35,2% da perda ponderal com semaglutida e 25,4% com tirzepatida, proporções semelhantes às observadas com intervenções de estilo de vida isoladas (26,2%). Intervenções de estilo de vida associadas ao treinamento resistido apresentaram a menor proporção de perda de massa magra entre as estratégias avaliadas (17,5%).
No subestudo de composição corporal do SURMOUNT-1, que avaliou 160 participantes por absorciometria por dupla emissão de raios X (DXA), o tratamento com tirzepatida por 72 semanas resultou em reduções de 21,3% no peso, 33,9% na massa adiposa e 10,9% na massa magra. Aproximadamente 75% do peso perdido correspondeu à gordura e 25% à massa magra.
Dados prospectivos recentes com semaglutida demonstraram redução inicial da massa magra, seguida de estabilização, concomitantemente à melhora da força de preensão manual e à redução da prevalência de obesidade sarcopênica. Esses achados reforçam que a redução de massa magra não equivale necessariamente a perda clinicamente relevante de músculo. Evidências atuais apoiam a combinação de ingestão proteica adequada, treinamento resistido progressivo e monitorização da composição corporal e da função, especialmente em indivíduos com menor reserva muscular ou maior risco de sarcopenia.
Conclusion
A avaliação do tratamento da obesidade com incretinas deve ultrapassar a simples magnitude da perda ponderal. Embora parte da massa livre de gordura seja perdida, a evidência atual não sustenta interpretar essa alteração isoladamente como sarcopenia. A integração entre farmacoterapia, suporte nutricional e exercício resistido pode favorecer maior preservação musculoesquelética e qualificar a perda de peso. São necessários estudos específicos que determinem os efeitos funcionais de longo prazo e as estratégias de exercício e nutrição mais eficazes durante o uso de incretinas.
Palavras-chave
Terapias incretínicas; Composição corporal; Exercício resistido.