Autores
G
Geovana Almeida dos Santos Araujo
Autor Principal
Hellen Karolynne Silva Pinheiro Gandra,
Debora Castro Sousa,
João Paulo Dutra Lobo Sousa,
Erika Barbara Abreu Fonseca Thomaz,
Bruno Feres de Souza
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A assistência ao parto em adolescentes representa um desafio para a saúde pública, dada a vulnerabilidade biológica e social desse grupo. No Brasil, a elevada proporção de cesarianas permanece uma preocupação, sendo relevante compreender sua distribuição espacial e temporal para subsidiar o planejamento de ações e a qualificação da assistência obstétrica.
Métodos
Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e quantitativo, utilizando dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Foram analisados 229.599 partos de adolescentes de 12 a 18 anos, conforme definição do Estatuto da Criança e do Adolescente. A proporção de cesarianas foi calculada pela razão entre o número de partos cesáreos e o número total de partos entre adolescentes, expressa em percentual. Foram analisadas características sociodemográficas e obstétricas, incluindo idade, escolaridade, estado civil, tipo de gravidez, número de consultas de pré-natal e grupos de Robson. A tendência temporal foi analisada pelo modelo de regressão Joinpoint, estimando-se a Variação Percentual Anual (APC) e o intervalo de confiança de 95% (IC95%). A análise espacial incluiu o mapeamento das proporções brutas e suavizadas, o Índice de Autocorrelação Espacial Local (LISA) e o Risco Relativo (RR). As análises foram realizadas nos softwares GeoDa, QGIS e Joinpoint Regression Program.
Resultados
Entre 2016 e 2025, foram registrados 96.271 partos cesáreos entre adolescentes no Maranhão, correspondendo a 41,93% dos partos nessa população. Na análise temporal, a proporção aumentou de aproximadamente 36,6% em 2016 para 51,1% em 2025, com tendência crescente, apresentando APC de 2,93% ao ano (IC95%: 1,83-3,37; p<0,001) entre 2016 e 2021 e de 4,81% ao ano (IC95%: 4,09-6,45; p<0,001) entre 2021 e 2025, indicando aceleração do crescimento a partir de 2021. A maioria das cesarianas ocorreu entre adolescentes de 15 a 18 anos (94,33%), pardas (84,80%), com 8 a 11 anos de escolaridade (72,83%) e solteiras (68,47%). Predominaram gestações únicas (97,94%), a termo (81,05%) e com sete ou mais consultas de pré-natal (53,51%). Além disso, entre as cesarianas, predominou o Grupo 01 de Robson (44,38%). A distribuição municipal apresentou heterogeneidade, com proporções variando de 17,49% a 72,06%. Presidente Dutra (71,31%) e Olho D'Água das Cunhãs (70,42%) apresentaram as maiores proporções. O LISA identificou 40 municípios em padrão Alto-Alto, caracterizando aglomerados espaciais de elevada proporção de cesarianas, predominantemente no Centro Maranhense. O RR variou de 0,25 a 2,00, com predominância de municípios apresentando valores entre 1,00 e 2,00 em relação à referência estadual.
Conclusão
Observou-se aumento temporal da proporção de cesarianas entre adolescentes no Maranhão, com aceleração da tendência a partir de 2021, além de importante heterogeneidade espacial e formação de aglomerados de elevada proporção.