Status
Aprovado
Submetido em
18/08/2026
Autores
L
Lícia Maia Barbosa
Autor Principal
Júlia Leitão Neves Azevedo, Francisco Wandisley Freitas Maciel, Vitória Karoline Costa Rodrigues, Lilian Benvindo da Cunha, Raquel Vilanova Araújo
Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão- UEMASUL
Introdução
O número de nascidos vivos constitui um importante indicador demográfico. Ele reflete aspectos da dinâmica reprodutiva e da fecundidade de uma população. Sua evolução também pode estar relacionada a fatores sociais e de saúde, incluindo mudanças no planejamento reprodutivo e no acesso aos serviços de atenção à saúde. No Brasil, observa-se uma tendência de redução dos nascimentos nas últimas décadas, fenômeno que também pode ser observado no estado do Maranhão e no município de Imperatriz. Nesse contexto, a pandemia de COVID-19 representa um importante marco temporal, uma vez que alterações no comportamento reprodutivo observadas durante esse período podem ter repercutido sobre o número de nascimentos nos anos subsequentes.
Objetivos
Analisar a tendência temporal dos nascidos vivos no Maranhão e em Imperatriz de 2014 a 2024, comparando o comportamento da série antes e após a pandemia de COVID-19, com base em dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS).
Métodos
Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo, descritivo, de série temporal, realizado com dados secundários do DATASUS, por meio da plataforma TabNet, referentes ao número de nascidos vivos com mães residentes no Maranhão e em Imperatriz–MA, de 2014 a 2024. Foram considerados os anos de 2014 a 2019 como período pré-pandemia, e 2020 a 2024 como período pós-pandemia.
Resultados
Observou-se redução de 21,2% no número de nascidos vivos no Maranhão no período analisado, passando de 117.071 para 92.173 registros. Em Imperatriz, observou-se redução de 21,1%, de 5.198 para 4.103 nascidos vivos. Embora tenham sido observadas oscilações ao longo do período pré-pandêmico, ambas as séries apresentaram redução mais acentuada a partir de 2020. No período pré-pandêmico, os números caíram de 117.071 para 113.317 no Maranhão e mantiveram-se de 5.198 para 5.192 em Imperatriz. Já no comparativo entre 2019, último ano pré-pandemia, e 2024, os números apresentam uma curva decrescente muito maior, indo de 113.317 para 92.173 no Maranhão e 5.192 para 4.103 em Imperatriz. Nacionalmente, a tendência de queda foi acompanhada, mas o Maranhão mostrou uma inclinação negativa maior tanto no âmbito estadual quanto no município de Imperatriz. Enquanto no Brasil os nascimentos caíram 4,7% entre 2019 e 2020, por exemplo, no Maranhão a queda foi de 6,4%.
Conclusão
Apesar de já haver queda na natalidade, a pandemia pode ter agravado uma tendência demográfica de redução da fecundidade que estava em curso, possivelmente intensificando ou modificando temporariamente seu comportamento. Essa mudança de comportamento aparece não apenas no Maranhão, mas também em Imperatriz, com curvas temporalmente muito semelhantes e redução proporcional praticamente idêntica ao longo de 2014–2024, reforça a necessidade de manutenção e aperfeiçoamento das políticas públicas vigentes de planejamento familiar e de acesso aos serviços da atenção básica, com destaque para o acompanhamento pré-natal.
Informações de Apresentação