Status
Aprovado
Submetido em
19/08/2026
Autores
A
Alessandra Viana de Camargo
Autor Principal
Letícia Neves Siqueira
Juliana de Oliveira Ramos Maia
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A gravidez na adolescência constitui importante questão de saúde pública, pois ocorre em fase de formação e continuidade da trajetória escolar. Nesse contexto, a escolaridade materna é marcador de vulnerabilidade educacional e social, sendo relevante analisar sua distribuição entre diferentes faixas etárias e grupos sociodemográficos. A investigação dos nascimentos de mães de 10 a 19 anos permite identificar diferenças segundo idade, escolaridade, raça/cor e região, contribuindo para compreender a dimensão e a evolução da maternidade precoce no Brasil e subsidiar estratégias de prevenção da gravidez e de promoção da permanência escolar.
Objetivos
Analisar a evolução temporal e o perfil da escolaridade materna entre mães de 10 a 19 anos no Brasil, comparando as faixas etárias de 10 a 14 e 15 a 19 anos, entre 2015 e 2025.
Métodos
Estudo epidemiológico, descritivo e quantitativo, com dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), disponibilizados pelo Ministério da Saúde/DATASUS. Foram analisados nascidos vivos de mães residentes no Brasil, com idade de 10 a 19 anos, registrados entre 2015 e 2025, estratificados nas faixas de 10 a 14 e 15 a 19 anos. Avaliaram-se escolaridade materna, raça/cor, região e ano do nascimento. Neste estudo, considerou-se baixa escolaridade a instrução de até sete anos, agrupando “nenhuma”, “1 a 3 anos” e “4 a 7 anos”. Foram calculadas frequências, proporções, diferenças entre grupos e variação percentual entre 2015 e 2025. Os dados de 2025 disponíveis na consulta utilizada são preliminares.
Resultados
Foram registrados 4.320.098 nascidos vivos de mães de 10 a 19 anos, sendo 200.466 (4,6%) de 10 a 14 e 4.119.632 (95,4%) de 15 a 19 anos. Entre 2015 e 2025, houve redução dos nascimentos de 56,1% e 49,2%, respectivamente. O grupo de 10 a 14 anos apresentou maior vulnerabilidade educacional: 59,2% das mães tinham até sete anos de estudo, contra 23,6% entre 15 a 19 anos, diferença de 35,6 pontos percentuais. Entre 2015 e 2025, essa proporção caiu de 69,4% para 48,3% entre 10 a 14 anos e de 31,9% para 13,7% entre 15 a 19 anos. Predominou a raça/cor parda, correspondendo a 69,4% entre 10 a 14 anos e 65,9% entre 15 a 19 anos. O Nordeste concentrou 38,5% dos nascimentos de mães de 10 a 14 anos; Norte e Nordeste, conjuntamente, responderam por 59,8%.
Conclusão
Houve redução dos nascimentos e melhora da escolaridade ao longo da série, porém persistiu importante desigualdade educacional, mais acentuada entre adolescentes de 10 a 14 anos, além de diferenças raciais e territoriais. Os achados caracterizam vulnerabilidade educacional associada à maternidade precoce e reforçam a necessidade de ações integradas de prevenção, permanência escolar e proteção social. Como o SINASC registra a escolaridade no momento do nascimento, os dados não permitem medir diretamente o abandono escolar, devendo ser interpretados como indicadores de vulnerabilidade educacional.
Informações de Apresentação