Status
Aprovado
Submetido em
19/08/2026
Autores
Z
Zenilda Vieira Bruno (1)
Autor Principal
Lourdes Maria Silva de Assis (2), Maria Clara Parente de Souza(3)
1. Professora de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará
2 e 3. Graduandas de Medicina da Universidade Federal do Ceará
Introdução
O implante subdérmico de etonogestrel (ENG) é um contraceptivo reversível de longa duração (LARC) com eficácia superior a 99%, recomendado para adolescentes. Contudo, a continuidade do uso nessa faixa etária é frequentemente comprometida por efeitos colaterais, sobretudo sangramentos irregulares. Dados sobre adesão e satisfação com o método em serviços públicos brasileiros permanecem escassos.
Objetivos
Avaliar o índice de satisfação e os principais efeitos colaterais relatados por adolescentes usuárias de implante de ENG em maternidade de referência, descrevendo as taxas de perda de seguimento nessa população.
Métodos
Estudo observacional, longitudinal, descritivo, incluindo todas as adolescentes com idade ≤19 anos submetidas à inserção de implante de ENG na Maternidade Escola Assis Chateaubriand entre agosto de 2024 e julho de 2026 (n=881 pacientes). Os dados foram coletados por entrevista presencial, em uma amostra por conveniência, no horário disponível da graduanda de medicina, de 176 adolescentes, durante a internação pós-parto, no qual foram analisadas variáveis demográficas. Após seis meses e um ano, foram questionadas sobre a continuidade do método, satisfação autorreferida e efeitos colaterais relatados por aplicativo de mensagem.
Resultados
Das 881 adolescentes que receberam o implante, 176 foram entrevistadas durante a internação e 71 (40,3%) responderam ao questionário realizado após o período de observação do método (seis a doze meses). A idade das 71 acompanhadas variou de 13 a 19 anos (média de 16,8 anos). Entre estas, 56 (78,9%) referiram satisfação e 15 (21,1%) insatisfação; nenhuma havia removido o dispositivo até o momento do contato, configurando continuidade de 100% no subgrupo avaliado. Os efeitos colaterais mais frequentes foram sangramento irregular ou escape (45,1%), cólicas (25,4%), amenorreia (21,1%), ganho de peso (11,3%), acne/oleosidade (9,9%), náuseas (7,0%) e cefaleia (5,6%). Entre as insatisfeitas, o sangramento prolongado ou irregular foi a queixa predominante (80%).
Conclusão
Entre as adolescentes efetivamente acompanhadas, a satisfação foi elevada, apesar da ocorrência de efeitos colaterais, em especial os distúrbios menstruais. A insatisfação esteve fortemente associada a padrões de sangramento prolongado. Os achados reforçam a importância do aconselhamento prévio e do manejo adequado das expectativas quanto às alterações menstruais, a fim de otimizar a adesão e a satisfação ao método nesta faixa etária. Contudo, os resultados devem ser interpretados com cautela, devido à reduzida amostra de seguimento
Informações de Apresentação