Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
J
Juliana de Oliveira Ramos Maia
Autor Principal
Alessandra Viana de Camargo; Claudio Clayver Rocha Costa; Erika Krogh
(1) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (2) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (3) Graduando do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão; (4) Médica pela Universidade Federal do Maranhão.
Introdução
A endometriose é uma condição ginecológica crônica e inflamatória que afeta as mulheres em idade reprodutiva e gera expressivo impacto funcional, psicossocial e econômico. Apesar da prevalência, o diagnóstico é, frequentemente, tardio e gera expressiva carga assistencial, o que impacta as hospitalizações no SUS e evidencia desigualdades no acesso à saúde.
Objetivos
Analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal das internações hospitalares por endometriose no Brasil no período de 2015 a 2025.
Métodos
Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional e descritivo com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) via DATASUS. Avaliaram-se as internações pelo código CID-10 N80 (Endometriose) no período de janeiro de 2015 a dezembro de 2025. Analisaram-se a evolução temporal anual, distribuição por região, caráter de atendimento, regime, raça/cor, faixa etária, tempo de permanência, gastos hospitalares, óbitos e mortalidade.
Resultados
Registrou-se um total de 145.019 internações por endometriose, sendo que a Região Sudeste concentrou a maior proporção (61.130; 42,15%), seguida pela Região Nordeste (36.984; 25,50%). A maioria foi de caráter eletivo (113.048; 77,95%) e, excluindo os dados ignorados, a maior parte dos estabelecimentos cadastrados refere-se ao regime privado (6.101), em contraste com os 4.361 públicos. Quanto ao perfil sociodemográfico, prevaleceram mulheres pardas (64.729; 44,63%) e brancas (53.146; 36,64%), com maior concentração nas faixas etárias de 40 a 44 anos (30.004; 20,68%), 35 a 39 anos (23.224; 16,01%) e 45 a 49 anos (22.597; 15,58%). O tempo total de permanência foi de 338.917 dias (média de 2,3 dias/internação) com custo total que ultrapassou R$ 89 milhões e 182 óbitos registrados (mortalidade de 0,13%). A análise temporal revelou uma fase de estabilidade entre 2015 e 2019 (média de 12.000 internações/ano), seguida de acentuada queda no biênio 2020–2021 (ponto mínimo 7.306 casos em 2020) e, a partir de 2022, observou-se uma tendência ascendente, culminando no pico histórico em 2025 (21.145 casos), o que representa um crescimento de 189,4% em relação a 2020. Além disso, notou-se um crescimento sustentado de internações na faixa dos 20 aos 29 anos (4.177 no total) durante o período analisado.
Conclusão
A análise evidenciou importante carga assistencial, com predomínio de casos na Região Sudeste e
entre mulheres de 35 a 49 anos, além de maior frequência de internações de caráter eletivo. A redução durante 2020 e 2021, seguida pelo crescimento progressivo a partir de 2022, demonstra uma importante variação temporal no período, enquanto o crescimento das internações entre mulheres de 20 a 29 anos reforça a relevância da doença em jovens. Assim, os achados ressaltam a necessidade de fortalecer o diagnóstico precoce, ampliar o acesso à assistência especializada e aprimorar os registros de saúde, contribuindo para um melhor planejamento das ações de atenção à saúde da mulher no SUS.
Informações de Apresentação