Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
J
Juliana de Oliveira Ramos Maia
Autor Principal
Karollyne Silva Andrade; Letícia Neves Siqueira; Erika Krogh
(1) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (2) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (3) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (4) Médica pela Universidade Federal do Maranhão.
Introdução
A mortalidade materna é um problema de saúde pública e indicador sensível da qualidade do sistema de saúde, da atenção obstétrica e das desigualdades sociais. Sabe-se que a maioria desses óbitos é evitável por meio de uma atenção à saúde integrada e de qualidade. Assim, compreender o perfil sociodemográfico, as causas obstétricas diretas e indiretas, bem como a distribuição espacial e o momento do óbito, torna-se essencial para subsidiar políticas públicas direcionadas à redução desses agravos.
Objetivos
Analisar o perfil epidemiológico e sociodemográfico da mortalidade materna no Brasil entre 2015 e 2025.
Métodos
Estudo ecológico, retrospectivo e descritivo da mortalidade materna no Brasil, no período de 2015 a 2025, com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), disponibilizados pelo DATASUS. Analisou-se região de ocorrência, faixa etária, raça/cor, escolaridade, estado civil, local de ocorrência do óbito, momento do óbito e causa básica, segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Calculou-se a Razão de Mortalidade Materna (RMM), definida como o número de óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos, indicador utilizado para estimar o risco de morte de uma mulher por causas relacionadas à gestação, ao parto ou ao puerpério. A análise estatística foi realizada no software R. Por utilizar dados secundários, anônimos e de domínio público, o estudo dispensou aprovação no Comitê de Ética.
Resultados
Foram registrados 18.570 óbitos maternos no período e 29.942.025 nascidos vivos (NV), resultando em uma RMM nacional de 62,02 óbitos por 100 mil NV. Em valores absolutos, a Região Sudeste destacou-se com o maior número de mortalidade materna (n=6.624; 35,67%), porém o maior RMM ocorreu na Região Norte (80,02/100 mil NV), seguida do Nordeste (68,73/100 mil NV). Em relação à
faixa etária, prevaleceu o número de óbitos em mulheres de 30 a 39 anos (n=7.944; 42,78%). O perfil sociodemográfico revelou maior frequência nas raças/cores parda (n=9.418; 50,71%) e branca (n=6.044; 32,54%), na faixa de escolaridade de 8 a 11 anos de estudo (n=8.347; 44,95%) e solteiras (n=8.814; 47,46%). Quanto às características assistenciais e clínicas, o ambiente hospitalar respondeu por 90,82% dos óbitos (n=16.866), ocorrendo majoritariamente no puerpério até 42 dias (n=10.986; 59,16%). Predominaram as causas de origem obstétrica direta (n=11.208; 60,35%) em relação às indiretas (n=6.790; 36,56%).
Conclusão
A mortalidade materna reflete as desigualdades regionais, sociodemográficas e assistenciais. Ademais, a predominância dos óbitos no ambiente hospitalar, durante o puerpério imediato e por causas obstétricas diretas evidencia lacunas na qualidade da assistência à gestante e orienta o direcionamento das políticas públicas. Logo, fortalecer a atenção pré-natal, identificar precocemente complicações e garantir auxílio qualificado no parto e no período puerperal são fundamentais.
Informações de Apresentação