Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
K
Karollyne Silva Andrade
Autor Principal
Maria Marcela Moura Carvalho;
Paola Pereira Melo.
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é caracterizado pelo aumento da intolerância à glicose diagnosticada primariamente na gestação. Essa condição acarreta desfechos adversos e eleva o risco do desenvolvimento futuro de diabetes tipo 2 para a mãe e o filho. A prevalência de hiperglicemia gestacional no Brasil varia entre 7,6% e 18%, sendo uma das alterações metabólicas mais frequentes na gravidez. No Maranhão, onde a morbimortalidade materna é expressiva, analisar o perfil das hospitalizações por DMG é fundamental para direcionar estratégias de prevenção de complicações pós-natais.
Objetivos
Descrever o perfil epidemiológico das gestantes internadas por diabetes mellitus gestacional no Maranhão, de 2018 a 2022, caracterizando as internações segundo caráter da admissão, raça/cor autodeclarada e faixa etária.
Métodos
Trata-se de um estudo ecológico, retrospectivo e descritivo das internações por DMG registradas no SIH/DATASUS no estado do Maranhão, no período de 2018 a 2022. Analisou-se caráter da internação (eletiva ou urgência/emergência), raça/cor autodeclarada e faixa etária das gestantes. A análise estatística foi realizada no software R por meio de frequências absolutas e relativas. Por utilizar dados secundários, anônimos e de domínio público, o estudo dispensou aprovação em Comitê de Ética.
Resultados
No período estudado, foram registradas 1.095 internações por DMG no Maranhão. Quanto ao caráter da internação, houve predomínio expressivo das internações de urgência/emergência (1.041; 95,1%) em relação às eletivas (54; 4,9%), sugerindo baixa cobertura de acompanhamento pré-natal programado ou dificuldade de acesso a internações planejadas. Em relação à raça/cor declarada, observou-se elevada proporção de registros sem informação ou ignorados (783; 71,5%), seguidos por gestantes pardas (290; 26,5%). As demais categorias apresentaram frequências residuais: amarela (13), branca (5), preta (3) e indígena (1), o que evidencia uma limitação relevante na qualidade do preenchimento dessa variável nos sistemas de informação em saúde. Quanto à faixa etária, a maioria das internações ocorreu entre gestantes de 20 a 34 anos (667; 60,9%), seguida pelas gestantes com 35 anos ou mais (380; 34,7%) e, em menor proporção, adolescentes menores de 20 anos (48; 4,4%), indicando maior concentração de casos em idade reprodutiva plena, mas com participação não desprezível de gestações em idade materna avançada, grupo de maior risco obstétrico.
Conclusão
Os achados demonstram predominância de internações em caráter de urgência/emergência e maior concentração entre gestantes de 20 a 34 anos. A elevada frequência de registros sem informação sobre raça/cor evidencia limitações na qualidade dos dados disponíveis. Reforça-se a relevância da qualificação da assistência pré-natal, com diagnóstico e manejo oportunos do DMG, bem como do aprimoramento dos registros nos sistemas de informação, visando à prevenção de desfechos materno-fetais adversos e ao planejamento de estratégias de saúde mais efetivas.
Informações de Apresentação