Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
O
Olynto Lazaro de Almeida Mendes
Autor Principal
(2) Julia Carneiro Santos
(3) Geovana Almeida dos Santos Araujo
(4) Antonio Augusto Moura da Silva
(5) Marcos Adriano Garcia Campos
(6) Debora Castro Sousa
1) Olynto Lazaro de Almeida Mendes – Estudante de Medicina, Faculdade IDEA.
(2) Julia Carneiro Santos – Estudante de Medicina, Faculdade IDEA.
(3) Geovana Almeida dos Santos Araujo – Enfermeira, especialista em Neonatologia e mestranda em Saúde Coletiva pela UFMA.
(4) Antonio Augusto Moura da Silva – Professor Doutor do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
(5) Marcos Adriano Garcia Campos – Médico, especialista em Clínica Médica pela UNESP/HCFMB e mestrando em Saúde Coletiva pela UFMA.
(6) Debora Castro Sousa – Médica, especialista em Ginecologia e Obstetrícia e mestranda em Saúde Coletiva pela UFMA.
Introdução
O abortamento, definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a interrupção da gestação antes da viabilidade fetal, constitui importante problema de saúde pública, particularmente em contextos de acesso desigual à atenção à saúde reprodutiva. No Brasil, estimativa indireta apontou taxa de aborto induzido de 8,7 por 1.000 mulheres de 10 a 49 anos em 2015, evidenciando a magnitude do fenômeno. As complicações relacionadas ao abortamento também representam importante demanda para o sistema hospitalar, com milhares de internações anuais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Diante disso, o monitoramento da tendência temporal das internações por abortamento no Nordeste mostra-se relevante para subsidiar políticas de saúde reprodutiva na região e caracterizar padrões de mudança da morbidade hospitalar por essa condição.
Objetivos
Analisar a tendência temporal das internações por abortamento na região Nordeste do Brasil, no período de 2010 a 2024.
Métodos
Estudo observacional, ecológico e de série temporal, com dados de internações hospitalares de mulheres de 10 a 49 anos no Nordeste, entre 2010 e 2024, obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), via TabNet. Foram selecionadas internações classificadas no capítulo XV da CID-10, correspondentes a aborto espontâneo, aborto por razões médicas e outras gravidezes que terminam em aborto (O03–O07). As taxas foram calculadas pela razão entre o número anual de internações e a população feminina de 10 a 49 anos, multiplicada por 10.000. A tendência temporal foi avaliada por regressão Joinpoint, com transformação logarítmica, estimando-se a Variação Percentual Anual (VPA) e respectivos intervalos de confiança de 95%. Por usar dados secundários públicos, dispensou apreciação do Comitê de Ética.
Resultados
Foram registradas cerca de 962 mil internações por abortamento no Nordeste entre 2010 e 2024, com taxa bruta média de 36,2 por 10.000 mulheres, evidenciando queda geral significativa (VPA de −1,97% ao ano; p<0,05). Identificaram-se dois padrões: queda discreta entre 2010 e 2019 (VPA de −1,34%; p<0,05) e aceleração expressiva entre 2019 e 2024 (VPA de −3,32%; p<0,05), com redução acumulada de cerca de 29% no período.
Conclusão
As internações por abortamento no Nordeste apresentaram tendência de redução entre 2010 e 2024, com aceleração da queda a partir de 2019. A mudança observada teve início antes mesmo do período pandêmico. Nesse sentido, o padrão identificado pode refletir mudanças demográficas e assistenciais, relacionadas ao registro das internações ou ao maior acesso a métodos contraceptivos, reforçando a necessidade de estudos que investiguem os fatores associados à redução observada. Como limitações, destaca-se que este estudo utilizou dados secundários, sujeitos à subnotificação e restritos às internações do SUS.
Informações de Apresentação