Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
L
Leticia Neves Siqueira
Autor Principal
Alessandra Viana de Camargo; Cláudio Clayver Rocha Costa; Erika Krogh
(1) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (2) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (3) Graduando do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (4) Médica pela Universidade Federal do Maranhão
Introdução
As Síndromes Hipertensivas da Gestação (SHG) constituem uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal no Brasil, estando associadas a complicações como prematuridade, restrição do crescimento fetal e desfechos maternos graves. Nesse contexto, a gestação na adolescência representa uma condição de maior vulnerabilidade, podendo elevar o risco dessas adversidades e constituindo um importante problema de saúde pública.
Objetivos
Analisar o perfil epidemiológico das internações por síndromes hipertensivas na gestação entre adolescentes brasileiras, no período de 2015 a 2025.
Métodos
Estudo epidemiológico, descritivo, retrospectivo e quantitativo, com dados secundários de internações por SHG entre adolescentes de 10 a 19 anos, no período de 2015 a 2025. Os dados foram obtidos no TABNET/DATASUS, por meio do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), na seção de Morbidade Hospitalar. Foram selecionadas as categorias do Capítulo XV - Gravidez, parto e puerpério, na Lista de Morbidade da CID-10, abrangendo os códigos de O10 a O16. As variáveis analisadas foram faixa etária, cor/raça, média de permanência, número de óbitos e letalidade hospitalar. Os dados foram apresentados por meio de frequências absolutas e relativas, médias e proporção de óbitos. Por serem secundários, agregados e de domínio público, sem identificação dos indivíduos, o estudo dispensou a aprovação em Comitê de Ética.
Resultados
Entre 2015 e 2025, foram registradas 143.904 internações por SHG entre adolescentes de 10 a 19 anos, com média anual de aproximadamente 13.082 internações. A maioria ocorreu entre jovens na faixa etária de 15 a 19 anos (n=136.451; 94,8%), enquanto 5,2% (n=7.453) corresponderam à faixa etária de 10 a 14 anos. Predominaram adolescentes pardas (79.340 casos), seguidas por brancas (25.374), pretas (6.497), amarelas (3.007) e indígenas (899), além de 28.787 registros sem informação. A média geral de permanência hospitalar foi de 3,9 dias, sendo maior entre adolescentes de 10 a 14 anos (4,2 dias), em comparação àquelas de 15 a 19 anos (3,9 dias). Foram registrados 148 óbitos, sendo 137 entre adolescentes de 15 a 19 anos e 11 entre as de 10 a 14 anos. A letalidade hospitalar geral foi de 0,10%, sendo maior entre adolescentes de 10 a 14 anos (0,15%), em comparação àquelas de 15 a 19 anos (0,10%).
Conclusão
As internações por SHG foram predominantes entre adolescentes brasileiras pardas e na faixa etária de 15 a 19 anos. Embora a maior parte dos óbitos tenha ocorrido nessa faixa etária, aquelas de 10 a 14 anos apresentaram maior letalidade hospitalar e média de permanência. O elevado número de registros classificados como “sem informação” quanto à cor/raça evidencia a necessidade de qualificação dos registros nos sistemas de informação em saúde. Os achados reforçam a necessidade de assistência pré-natal adequada, com identificação precoce e acompanhamento das SHG, especialmente entre adolescentes mais jovens, visando à prevenção de complicações maternas e perinatais.
Informações de Apresentação