XII Congresso Maranhense Ginecologia & Obstetrícia · 21º Congresso Brasileiro · 4º Congresso Internacional
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Trabalho #31  ·  Relato de Caso
E-POSTER
Prolactinoma como causa de amenorreia primária: um relato de caso
Status Aprovado
Submetido em 20/08/2026
Autores
R
Rosana Maria dos Reis
Autor Principal
Antônio Pedro de Jesus Barros Lorena Burin Bernardo da Silva Maíra Cristina Andrade Ribeiro Bianca de Campos Matuella
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo
Introdução
A amenorreia primária é condição pouco frequente na prática ginecológica, definida como ausência de menarca aos 15 anos na presença de caracteres sexuais secundários ou após cinco anos da telarca. As causas mais comuns incluem alterações anatômicas ou disfunções do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO). A hiperprolactinemia é causa frequente de amenorreia secundária, porém raramente associada à amenorreia primária (<1%).
Métodos
Paciente de 16 anos, com telarca e pubarca aos 11 anos, encaminhada por amenorreia primária. Referia cefaleia crônica progressiva e episódio de galactorreia. Ao exame: estadiamento M5P4 e galactorreia à expressão. Exames evidenciaram prolactina elevada (69 ng/mL), função tireoidiana normal e ultrassonografia com útero presente. Ressonância de sela túrcica mostrou microadenoma hipofisário (0,4 cm). Foi iniciado tratamento com cabergolina, 0,25 mg duas vezes na semana, com normalização da prolactina em um mês. Apresentou demanda contraceptiva devido a sexarca neste período após início do tratamento. Evoluiu com menarca após inserção de implante contraceptivo e teve melhora parcial da cefaleia. No seguimento, apresentou padrão de sangramento favorável, com ciclos menstruais regulares, mantem a dose inicial de cabergolina, e aguarda nova reavaliação de exame de imagem. Este relato de caso teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição, CAAE: 96407926.1.0000.5440.
Conclusão
A presença de caracteres sexuais secundários e útero presente afasta causas anatômicas e direciona a investigação para distúrbios do eixo HHO, com abordagem semelhante à amenorreia secundária. Embora a hiperprolactinemia seja causa frequente de amenorreia secundária, sua ocorrência rara na forma de amenorreia primária pode retardar o diagnóstico. A elevação da prolactina inibe a pulsatilidade do hormônio liberador de gonadotrofinas - GnRH, levando à disfunção do eixo HHO e podendo causar desde irregularidade menstrual até amenorreia. Destaca-se que níveis de prolactina moderadamente elevados, 50–100 ng/mL, como no presente caso, já são suficientes para repercussões clínicas significativas, e podem estar associados a micro adenoma hipofisário como causa etiológica. Além disso, a ausência de galactorreia não exclui o diagnóstico, o que reforça a necessidade de investigação laboratorial sistemática. A identificação de prolactinoma, embora incomum em adolescentes, é fundamental, uma vez que tumores hipofisários estão presentes em parcela significativa dos casos de hiperprolactinemia.
Em conclusão, este caso evidencia a hiperprolactinemia como etiologia incomum de amenorreia primária, reforçando a importância da investigação hormonal mesmo em pacientes com desenvolvimento puberal adequado. Destaca-se a boa resposta aos agonistas dopaminérgicos e a necessidade de aconselhamento contraceptivo, diante do rápido restabelecimento da função reprodutiva após o tratamento.

Informações de Apresentação
E-POSTER
Modalidade
25/09/2026
Data
08:30
Horário
TV 03
Sala