Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
P
Paola Pereira Melo
Autor Principal
Leticia Neves Siqueira
Maria Marcela Moura Carvalho
Erika Krogh
(1) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (2) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (3) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão.; (4) Médica pela Universidade Federal do Maranhão.
Introdução
A mortalidade materna é definida como o óbito da mulher durante a gestação ou até 42 dias após o seu término, por causas relacionadas ou agravadas pela gravidez. Ressalta-se, que a maioria desses eventos deriva de complicações preveníveis, passíveis de diagnóstico precoce e tratamento oportuno. O Maranhão figura entre os estados brasileiros com taxas alarmantes desse indicador, refletindo fragilidades na qualidade da assistência médica e desigualdades na cobertura da atenção pré-natal e puerperal no estado.
Objetivos
Analisar a tendência temporal e o perfil clínico-epidemiológico da mortalidade materna no estado do Maranhão, no período de 2020 a 2024.
Métodos
Trata-se de estudo ecológico de série temporal, retrospectivo, descritivo e quantitativo. Os dados foram extraídos do DATASUS, via Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC). Analisaram-se as variáveis ano, faixa etária, cor/raça, escolaridade, estado civil, local de ocorrência, tipo de causa obstétrica, momento do óbito e categoria CID-10. A Razão de Mortalidade Materna (RMM) foi calculada por 100.000 nascidos vivos.
Resultados
No período delimitado, registraram-se 472 óbitos maternos e 502.088 nascidos vivos no Maranhão. A análise de tendência revelou uma RMM de 94,2 em 2020, com incremento abrupto para 134,3 em 2021. Observou-se declínio subsequente, com taxas de 77,5 em 2022; 86,4 em 2023; e 71,6 em 2024. O perfil sociodemográfico demonstrou prevalência de óbitos em mulheres na faixa etária de 20 a 39 anos (n=408; 75,6%), autodeclaradas pardas (n=375; 69,5%), solteiras (n=259; 48,0%) e com 8 a 11 anos de escolaridade (n=286; 53,0%). O ambiente hospitalar foi o local de ocorrência em 89,4% dos casos. Sob a óptica clínica, constatou-se predomínio de causas obstétricas diretas (n=312; 66,1%). O puerpério até 42 dias configurou o período de maior letalidade (n=224; 47,4%), seguido pelo período da gravidez, parto ou aborto (n=129; 27,3%). Consoante à classificação da CID-10, as etiologias prevalentes foram: doenças infecciosas e parasitárias maternas O98 (n=80); eclâmpsia O15 (n=71); outras doenças maternas O99 (n=69); hipertensão gestacional com proteinúria significativa O14 (n=39); e hemorragia pós-parto O72 (n=39).
Conclusão
Os resultados demonstram que a mortalidade materna no Maranhão apresentou aumento expressivo em 2021, seguido de redução nos anos posteriores, embora permaneça um importante problema de saúde pública. Outrossim, o perfil predominante foi de mulheres de 20 a 39 anos, autodeclaradas pardas, com 8 a 11 anos de escolaridade e óbitos ocorridos principalmente em ambiente hospitalar. Além disso, as causas obstétricas diretas foram predominantes, com destaque para infecções, eclâmpsia e outras complicações maternas. Logo, esses achados reforçam a necessidade de fortalecer a assistência pré-natal, ao parto e o puerpério, visando à prevenção e redução dos óbitos maternos evitáveis.
Informações de Apresentação