Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
M
Maria Keren Ribeiro Sousa
Autor Principal
Débora Priscila Costa Freire
Isadora de Fátima Nascimento Melo
Nagylla Fernanda Ribeiro Coelho
Rodrigo Sousa Figueiredo Ferreira
Daniel Borges Matos de Melo
Faculdade Pitágoras de Bacabal
Faculdade Pitágoras de Bacabal
Faculdade Pitágoras de Bacabal
Faculdade Pitágoras de Bacabal
Faculdade Pitágoras de Bacabal
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A maternidade tardia, geralmente definida como a ocorrência da gestação em mulheres com 35 anos ou mais, constitui um fenômeno de crescente relevância para a saúde materno-infantil. O adiamento da maternidade tem sido relacionado a transformações sociais, educacionais e profissionais, mas também pode estar associado a maior ocorrência de complicações durante a gestação e a desfechos perinatais adversos. Estudos realizados no Brasil demonstram que a idade materna avançada está associada a maior ocorrência de nascimento prematuro e de nascimento pré-termo precoce, evidenciando a importância da idade materna como marcador epidemiológico de risco obstétrico. Além da idade materna, a qualidade da assistência pré-natal exerce papel fundamental na prevenção e identificação precoce de condições capazes de comprometer a saúde materna e neonatal. Nesse sentido, investigar a ocorrência desses desfechos entre mulheres em idade materna avançada permite compreender possíveis repercussões da maternidade tardia sobre a saúde perinatal.
Objetivos
Analisar a ocorrência de maternidade tardia e sua relação com desfechos maternos e perinatais na Região de Saúde de Bacabal, Maranhão, por meio de uma análise de série temporal no período de 2020 a 2025.
Métodos
Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional, retrospectivo e quantitativo, com análise de série temporal de 2020 a 2025, realizado na Região de Saúde de Bacabal-MA. Foram utilizados dados secundários do SINASC e SIH/SUS, disponibilizados pelo DATASUS.
Resultados
Entre 2020 e 2025, foram registrados 21.572 nascidos vivos, dos quais 1.815 (8,4%) foram de mulheres com idade ≥35 anos. A proporção de maternidade tardia reduziu-se de 8,5% em 2020 para 7,3% em 2021, seguida de crescimento, atingindo 9,2% em 2024 e 2025, com predomínio da faixa de 35–39 anos. Observou-se elevada frequência de cesarianas entre mulheres ≥35 anos, aumentando de 75,5% em 2020 para 89,3% em 2025. Na população geral, as cesarianas aumentaram de 70,9% para 84,3%, elevação de 13,4 pontos percentuais, com tendência temporal estatisticamente significativa (p<0,001). Esse achado é consistente com evidências recentes que apontam maior frequência de cesarianas em gestantes de idade materna avançada. Quanto à prematuridade, foram registrados 1.638 nascimentos <37 semanas (7,6%), com frequência de 4,9% a 13,1% entre mulheres de 35–44 anos, alcançando 9,2% em 2025. Evidências recentes também associam a idade materna avançada a maior ocorrência de desfechos perinatais adversos, reforçando a necessidade de acompanhamento individualizado
Conclusão
A maternidade tardia apresentou crescimento na Região de Saúde de Bacabal após 2021, acompanhada de elevada frequência de cesarianas e prematuridade. Destaca-se o aumento das cesarianas na população geral e a frequência de 89,3% entre mulheres ≥35 anos em 2025. Os achados reforçam a necessidade de fortalecer o planejamento reprodutivo e a assistência pré-natal, com avaliação individualizada dos riscos e qualificação da assistência obstétrica.
Informações de Apresentação