XII Congresso Maranhense Ginecologia & Obstetrícia · 21º Congresso Brasileiro · 4º Congresso Internacional
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Trabalho #35  ·  Trabalho Original
E-POSTER
Iniquidades sociais e a questão da sífilis congênita no Maranhão: uma análise sociodemográfica
Status Aprovado
Submetido em 20/08/2026
Autores
C
Carine Novaes Paes Leme (1)
Autor Principal
Beatriz Matos Costa (2) Erika Krogh (3) Luís Victor Moraes de Moura (4)
(1) Graduanda do curso de Medicina da Universidade Federal do Maranhão (2) Médica pela UFMA. Ginecologista e obstetra pelo HUUFMA (3) Ginecologista e Obstetra pelo Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros em São Paulo. Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO/AMB. Mestre em Saúde do Adulto pela UFMA (4) Ginecologista e Obstetra pelo Hospital Materno Infantil de Brasília/Escola Superior de Ciências da Saúde. Especialista em Medicina Fetal pelo Programa de Residência Médica em Medicina Fetal do Hospital Materno Infantil de Brasília/Escola de Saúde Pública do Distrito Federal. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília
Introdução
A sífilis congênita decorre da transmissão vertical do Treponema pallidum e constitui um marcador clássico de falhas na assistência pré-natal. Apesar de ser uma condição evitável, o estado do Maranhão apresenta elevadas taxas da doença, perpetuadas por iniquidades socioeconômicas e barreiras no acesso aos serviços de saúde.
Objetivos
Analisar a incidência da sífilis congênita no Maranhão entre 2015 e 2024 e sua correlação com indicadores sociodemográficos e assistenciais dos municípios.
Métodos
Estudo epidemiológico, ecológico e analítico com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Analisaram-se características materno-infantis, tendência temporal por regressão linear (2015-2024), distribuição espacial no último ano e correlação de Spearman (ρ) em 2024 entre a incidência e os indicadores municipais: cobertura da Estratégia Saúde da Família (ESF), Produto Interno Bruto (PIB) per capita, densidade demográfica, índice educacional e adequação do pré-natal.
Resultados
Registraram-se 5.502 casos de sífilis congênita no Maranhão. Predominaram gestantes de raça/cor preta ou parda (86,19%), na faixa etária de 20 a 29 anos (54,87%) e com baixa escolaridade (41,75%). Embora a maioria das mães tenha realizado pré-natal (87,68%) e recebido o diagnóstico durante esse acompanhamento (53,64%), mais da metade dos parceiros não foi tratada adequadamente (55,29%). A incidência do agravo apresentou tendência temporal estacionária (R2=0,0749; p=0,44). As maiores taxas em 2024 ocorreram nos municípios de Imperatriz (29,24/1.000 nascidos vivos), Porto Franco (17,80/1.000) e Balsas (16,58/1.000). Houve associação negativa moderada entre a cobertura da Estratégia Saúde da Família e a incidência da doença (ρ=−0,365; p<0,001; IC95%: -0,48 a -0,24), enquanto o PIB per capita (ρ=0,222; p=0,001) e a densidade demográfica (ρ=0,175; p=0,010) apresentaram correlação positiva de baixa magnitude. O índice educacional (p=0,229) e a taxa de adequação do pré-natal (p=0,468) não apresentaram associação estatisticamente significativa.
Conclusão
A persistência da sífilis congênita no Maranhão vincula-se a iniquidades sociais e falhas assistenciais, destacando-se a não adesão ao tratamento dos parceiros. A associação negativa com a cobertura da ESF reforça a Atenção Primária como pilar fundamental no combate à transmissão vertical.
Informações de Apresentação
E-POSTER
Modalidade
25/09/2026
Data
08:30
Horário
TV 02
Sala