Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
J
Júlia Carneiro Santos
Autor Principal
(2) Olynto Lazaro de Almeida Mendes
(3) Geovana Almeida dos Santos Araujo
(4) Antonio Augusto Moura da Silva
(5) Marcos Adriano Garcia Campos
(6) Debora Castro Sousa
Júlia Carneiro Santos – Estudante de Medicina, Faculdade IDEA.
Olynto Lazaro de Almeida Mendes – Estudante de Medicina, Faculdade IDEA.
Antonio Augusto Moura da Silva – Professor Doutor do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Marcos Adriano Garcia Campos – Médico, especialista em Clínica Médica pela UNESP/HCFMB e mestrando em Saúde Coletiva pela UFMA.
Debora Castro Sousa – Médica, especialista em Ginecologia e Obstetrícia e mestranda em Saúde Coletiva pela UFMA.
Geovana Almeida dos Santos Araujo – Enfermeira, especialista em Neonatologia e mestranda em Saúde Coletiva pela UFMA.
Introdução
O abortamento constitui importante problema de saúde pública e pode contribuir para a mortalidade materna, apresentando distribuição heterogênea segundo características sociodemográficas e regionais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), condições de acesso inadequado à assistência e a ocorrência de abortamentos inseguros podem aumentar o risco de complicações graves e óbito. A análise do perfil das mulheres e da distribuição dos óbitos relacionados ao abortamento pode contribuir para estratégias de prevenção e assistência à saúde.
Objetivos
Delinear o perfil sociodemográfico e epidemiológico dos óbitos relacionados ao abortamento entre mulheres em idade fértil no Brasil, no período de 2014 a 2024.
Métodos
Estudo ecológico, descritivo e retrospectivo, realizado com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), disponibilizados pelo DATASUS por meio do TABNET. Foram analisados óbitos de mulheres de 10 a 49 anos, ocorridos no Brasil entre 2014 e 2024, cuja causa básica correspondeu a aborto espontâneo, aborto por razões médicas, outros tipos de aborto, aborto não especificado ou falha de tentativa de aborto, segundo a CID-10 (O03-O07). Os dados foram organizados e analisados no Microsoft Excel e RStudio, utilizando estatística descritiva por ano, região, faixa etária, raça/cor e escolaridade. Foram calculados frequências absolutas e relativas e coeficientes de mortalidade por região. Por usar dados secundários públicos, dispensou apreciação do Comitê de Ética.
Resultados
Entre 2014 e 2024, registraram-se 624 óbitos relacionados ao abortamento no Brasil.Destes, 185 (29,6%) foram classificados como aborto espontâneo, 13 (2,1%) como aborto por razões médicas, 92 (14,7%) como outros tipos de aborto, 283 (45,4%) como aborto não especificado e 51 (8,2%) como falha de tentativa de aborto. Embora o Sudeste tenha apresentado o maior número absoluto de óbitos, com 234 (37,5%), o maior coeficiente médio anual de mortalidade ocorreu no Norte, com 0,161 óbitos por 100.000 mulheres de 10 a 49 anos (IC95%: 0,131–0,195). Predominou a raça/cor parda, com 325 óbitos (52,1%), escolaridade de 8 a 11 anos, com 259 (41,5%), e faixa etária de 25 a 29 anos, com 152 (24,4%).
Conclusão
Os óbitos relacionados ao abortamento apresentaram distribuição regional desigual, com maior número absoluto no Sudeste, maior coeficiente médio anual de mortalidade no Norte e predomínio entre mulheres pardas, de 25 a 29 anos e com 8 a 11 anos de escolaridade. O padrão observado reforça a persistência de desigualdades regionais e sociodemográficas na mortalidade relacionada ao abortamento no Brasil, evidenciando urgência de estratégias de saúde pública voltadas à equidade na assistência à saúde da mulher e à redução de mortes evitáveis.
Informações de Apresentação