XII Congresso Maranhense Ginecologia & Obstetrícia · 21º Congresso Brasileiro · 4º Congresso Internacional
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Trabalho #38  ·  Relato de Caso
E-POSTER
Do risco suicida ao projeto de vida: acompanhamento psicológico longitudinal na adolescência
Status Aprovado
Submetido em 20/08/2026
Autores
A
Autor Principal: Albertina Duarte Takiuti
Autor Principal
Demais autores: Roberta Elias Manna Sylmara Berger Del Zotto Leila Salomão de La Plata Cury Tardivo
Instituições dos autores: Roberta Elias Manna Mestre e Doutora em Psicologia Clínica pelo IPUSP (Instituto de Psicologia da USP). Psicóloga do convênio APOIAR do IPUSP com o Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo. Albertina Duarte Takiuti Médica Ginecologista e Obstetra, Mestre e Doutora em Ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) desde a sua criação em 1986. Sylmara Berger Del Zotto Médica, Assistente Técnica de Gabinete-GS/SES-SP, Coordenadora do Grupo Técnico de Enfrentamento às Violências Leila Salomão de La Plata Cury Tardivo Profª Drª do Instituto de Psicologia da USP, Coordenadora do APOIAR do IPUSP.
Introdução
Introdução: A adolescência constitui um período singular do desenvolvimento, caracterizado pela construção da identidade, da autonomia e de novos projetos de vida. Contudo, esse processo pode ser gravemente comprometido por situações de vulnerabilidade psicossocial e violência intrafamiliar, potencializando o sofrimento psíquico e o risco de ideação suicida e autolesões. Nesse contexto, pesquisas do APOIAR do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP) destacam a importância do manejo clínico da autolesão na adolescência, evidenciando a necessidade de intervenções preventivas e articuladas entre a clínica, a família e a escola. No campo da Saúde do Adolescente, o Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo destaca a importância da atenção integral e reconhece que as condições oferecidas pelo meio podem favorecer ou dificultar a construção de projetos de vida. Adolescentes expostos simultaneamente à violência, pobreza, fragilidade dos vínculos, isolamento social e barreiras de acesso aos serviços podem apresentar necessidades de cuidado que ultrapassam a intervenção clínica individual padrão. O presente relato evidencia a complexidade do acompanhamento de uma adolescente com autolesão, ideação suicida e sintomas psicóticos, em contexto de violência sexual intrafamiliar e grave vulnerabilidade psicossocial.
Objetivos
Objetivo: Relatar a experiência de acompanhamento psicológico longitudinal de uma adolescente em situação de grave vulnerabilidade psicossocial, destacando a construção do vínculo terapêutico, a flexibilização do setting terapêutico e a articulação com a rede de cuidados como estratégias de continuidade da atenção e favorecimento da autonomia e do projeto de vida.
Métodos
Métodos: Relato de experiência referente ao acompanhamento psicológico de uma adolescente iniciado em 2022, aos 13 anos, no âmbito da parceria entre o APOIAR – Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e o Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo. O acompanhamento, fundamentado na psicanálise de orientação winnicottiana, estendeu-se por aproximadamente quatro anos. Inicialmente presencial, passou posteriormente à modalidade remota, diante das condições concretas de vida da adolescente e da terapeuta. O setting foi flexibilizado para possibilitar a continuidade do cuidado, incluindo articulação com escola e familiares para viabilizar acesso a computador, internet e privacidade. A frequência habitual foi semanal, com ampliação para duas ou três sessões semanais em períodos de crise e possibilidade de atendimentos emergenciais previamente acordados. A intervenção envolveu também contatos com mãe, pai, escola e CAPS, para articulação e fortalecimento da rede de cuidado. A perspectiva de enquadres diferenciados desenvolvida no Ser e Fazer e APOIAR do IPUSP, constitui importante referência para compreender a adaptação do dispositivo clínico às necessidades e condições concretas da pessoa atendida.
Resultados
Resultados: No início do acompanhamento, a adolescente apresentava autolesões recorrentes e graves, ideação suicida, intenso sofrimento emocional, isolamento social, baixa autoestima e relatos de vozes de comando relacionadas ao suicídio, além de histórico de violência sexual intrafamiliar e condições habitacionais precárias. Foi encaminhada ao CAPS, onde iniciou acompanhamento e tratamento medicamentoso, mantendo o atendimento psicológico individual. A construção do vínculo terapêutico possibilitou o estabelecimento de um acordo de segurança para que, diante do impulso de se autolesionar, buscasse inicialmente contato com a terapeuta, mantendo a mãe e os serviços da rede como recursos para situações de emergência. Observou-se redução progressiva dos episódios de autolesão. Ao longo do acompanhamento, a adolescente passou a reconhecer que não era responsável pela violência sofrida, desenvolveu maior capacidade de identificar situações abusivas e estratégias de autoproteção, além de maior autonomia e autoestima. Após mais de quatro anos, não apresenta ideação suicida nem comportamentos autolesivos. Passou a realizar cursos, praticar atividades esportivas e construir perspectivas relacionadas ao estudo, trabalho e profissão. Paralelamente, a redução das crises possibilitou à mãe ampliar sua atividade profissional, contribuindo para mudanças nas condições econômicas e habitacionais da família, incluindo a conquista de uma moradia com quarto próprio para a adolescente.
Conclusão
Conclusão: O acompanhamento evidencia que o cuidado em saúde mental de adolescentes em situação de grave vulnerabilidade demanda estratégias que ultrapassem a redução de sintomas e comportamentos de risco. A construção de vínculo, a flexibilização do setting e a articulação entre família, escola, CAPS e demais recursos da rede favoreceram a continuidade do cuidado diante de importantes barreiras sociais e de acesso. A trajetória acompanhada não se restringiu à remissão da ideação suicida e das autolesões, mas envolveu maior autonomia, reconhecimento e proteção diante de situações de violência e retomada de perspectivas de futuro. O caso reforça a importância de uma atenção integral que, além de proteger a vida, possibilite ao adolescente recuperar a capacidade de imaginar, desejar e construir um projeto de vida. Essa perspectiva está em consonância com a concepção do Programa de Saúde do Adolescente de que as possibilidades oferecidas pelo meio podem facilitar ou dificultar a construção desse projeto.
Informações de Apresentação
E-POSTER
Modalidade
24/09/2026
Data
08:30
Horário
TV 02
Sala