Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
R
Raissa Cerveira Vieira
Autor Principal
Isabelle Nicole Moraes Ribeiro
Camila Júlia Melo Rodrigues de Queiroga
Juliana Pinheiro Barcellos
Willane Bandeira de Sousa
Rivaldo Lira Filho
Universidade Estadual do Maranhão
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) é a mais relevante causa evitável do câncer de colo de útero, uma das neoplasias mais incidentes no Brasil. A vacinação de adolescentes, incorporada em 2014, é a principal estratégia de prevenção primária. Apesar disso, a cobertura vacinal (CV) no país apresenta discrepâncias regionais marcantes, com o Maranhão em desvantagem.
Objetivos
Analisar a evolução temporal da CV contra HPV em adolescentes de 9 a 14 anos no estado do Maranhão no período de 2017 a 2025 e comparar ao Brasil.
Métodos
Estudo ecológico, descritivo, de série temporal, com dados secundários do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI). Foram incluídos dados de cobertura vacinal (%) por sexo e ano, referentes à imunização contra HPV em adolescentes residentes no Maranhão. Calculou-se a variação percentual anual, a razão entre a cobertura observada e a meta ministerial (80%) e a diferença entre as CV estadual e nacional. A tendência temporal foi avaliada por regressão de Prais-Winsten, com nível de significância de 5%.
Resultados
Ao longo do período 2017-2025, a CV média para meninas no Maranhão foi 81,93% e para meninos 44,3%. Houve redução de 26,17% na CV feminina, enquanto no sexo masculino a CV aumentou em 125%. A diferença entre as CV feminina e masculina era de 74,13 p.p. em 2017 (quando a vacinação para meninos iniciou). Gradualmente, a diferença reduziu para 10,84 p.p. em 2025. Quanto à meta mínima de 80% estabelecida pelo PNI, a cobertura feminina a superou nos anos de 2017 a 2020 e depois permaneceu abaixo. Já a masculina esteve aquém da meta em todos os anos. As menores taxas de CV para ambos os sexos se apresentaram entre 2020 e 2022, possivelmente pela desorganização causada pela pandemia do covid-19. A CV do Brasil já superava o Maranhão, contudo a diferença absoluta se acentuou com o tempo. A CV feminina nacional atingiu a meta em 7 de 9 anos; a masculina não a atingiu em nenhum. A análise de tendência temporal revelou tendência decrescente em meninas (VPA=-3,86%; IC95%: -7,03 a -0,58; p=0,03) e crescente em meninos (VPA=9,04%; IC95%: 2,31 a 16,21; p=0,01) no Maranhão. No Brasil, a CV feminina foi estacionária (VPA=-2,09%; p=0,10) e a masculina, crescente (VPA=10,22%; p<0,01).
Conclusão
Este estudo reforça a necessidade de estratégias para aumentar a adesão à imunização contra HPV no Maranhão. A CV desse estado se mostrou inferior à nacional, apresentou queda a partir de 2021 e, apesar da recuperação, não atingiu a meta do PNI nos anos seguintes. Embora se evidencie um processo de redução da desigualdade de gênero na CV, devido ao aumento da série masculina, a CV em meninos foi inferior à meta em todos os anos. A redução da série feminina no Maranhão também foi um achado crítico, alertando para que haja intervenções de resgate da cobertura vacinal contra HPV no estado. Limitações do estudo incluem o desenho ecológico, que impede inferência causal individual, e o intervalo de tempo reduzido avaliado.
Informações de Apresentação