Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
N
Naara Rayane Moura Cutrim
Autor Principal
Ana Luísa Matos da Silva
Daniele dos Santos Feitosa
Grasiela de Araújo Costa Moura de Sousa
Thomas Canêdo Pessôa
Lunalva Aurélio Pedroso Sallet
Universidade Estadual do Tocantins
Introdução
A mortalidade materna é um importante indicador da qualidade da assistência à saúde. Entre suas principais causas, destacam-se as hemorragias obstétricas, eventos potencialmente preveníveis com diagnóstico e manejo oportunos. Apesar dos avanços assistenciais, esses agravos ainda representam um desafio no Brasil, evidenciando a necessidade de estratégias para prevenir e reduzir os óbitos maternos.
Objetivos
Analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal dos óbitos maternos causados por hemorragias do início da gravidez, anteparto e pós-parto nas Unidades da Federação brasileiras.
Métodos
Estudo epidemiológico, descritivo, de série temporal, com abordagem quantitativa, baseado em dados secundários de domínio público obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Foram incluídos todos os óbitos maternos registrados no Brasil entre janeiro de 2019 e dezembro de 2024, classificados segundo a CID-10 como hemorragia do início da gravidez, hemorragia anteparto não classificada em outra parte e hemorragia pós-parto. As variáveis analisadas compreenderam ano do óbito, Unidade da Federação de residência, categoria diagnóstica, local de ocorrência, faixa etária, cor/raça e escolaridade. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas e analisados por estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas. Por se tratar de dados secundários, agregados e públicos, o estudo dispensa apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa (CEP).
Resultados
No período analisado, foram registrados 688 óbitos maternos atribuídos às causas estudadas. A análise por categoria diagnóstica revelou uma predominância da hemorragia pós-parto correspondendo a 91,2% dos casos (n=628), seguida pela hemorragia anteparto (7,1%; n=49) e hemorragia do início da gravidez (1,6%; n=11). Observou-se pico de óbitos em 2021 (n=123), mantendo-se valores superiores a 100 mortes anuais ao longo do período. A maioria das mulheres tinha entre 20 e 39 anos (82,4%), era de cor/raça parda (53,5%) e possuía entre 4 e 11 anos de escolaridade (63%). As regiões Sudeste (n=227) e Nordeste (n=191) concentraram o maior número de óbitos, com destaque para São Paulo e Minas Gerais. A maioria dos óbitos ocorreu em ambiente hospitalar (94%), predominantemente no puerpério até 42 dias (68,9%), reforçando a criticidade do período imediato após o parto.
Conclusão
Os achados evidenciam que a mortalidade materna por hemorragias obstétricas permanece fortemente associada a desigualdades sociais e raciais, além de fragilidades na assistência ao parto e ao puerpério. A elevada proporção de óbitos hospitalares e no pós-parto imediato reforça a necessidade de qualificação contínua das equipes, fortalecimento dos protocolos de emergência obstétrica e garantia de acesso oportuno a hemocomponentes, como estratégias prioritárias para a redução da mortalidade materna no Brasil.
Informações de Apresentação