Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
T
TAINÁ DA SILVA COSTA
Autor Principal
1 - MÁRLON VICTOR SANTOS DO NASCIMENTO
2 - JOÃO GABRIEL BARROS DE SANT'ANNA
3 - MILENA DE SOUSA AMARAL
4 - PAOLA PEREIRA MELO
5 -ERIKA KROGH (ORIENTADORA)
- 1 AO 5: GRADUANDOS DO CURSO DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
- 5: MÉDICA GINECOLOGISTA E OBSTETRA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
Introdução
Os transtornos hipertensivos da gestação, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia, são importantes causas de morbimortalidade materna e podem evoluir para complicações graves. Nesse contexto, conhecer a distribuição desses óbitos no Maranhão é essencial para identificar grupos vulneráveis e orientar ações de vigilância e melhoria da assistência obstétrica.
Objetivos
Analisar a mortalidade materna por causas hipertensivas no Maranhão entre 2014 e 2024, considerando sua distribuição anual e o perfil dos óbitos segundo causa específica, faixa etária, raça/cor, escolaridade e momento da morte.
Métodos
Estudo epidemiológico, observacional, ecológico, retrospectivo e descritivo, de abordagem quantitativa, com dados públicos do SIM e SINASC/DATASUS referentes ao Maranhão, entre 2014 e 2024. Incluíram-se óbitos maternos de residentes no estado por causas hipertensivas (CID-10: O10, O11, O13, O14, O15 e O16). Analisaram-se ano, causa específica, faixa etária, raça/cor, escolaridade e momento do óbito. Calcularam-se frequências, proporções e razões de mortalidade por 100 mil nascidos vivos.
Resultados
Entre 2014 e 2024, foram registrados 303 óbitos maternos por causas hipertensivas e 1.190.674 nascidos vivos no Maranhão, correspondendo à razão acumulada de 25,45 óbitos por 100 mil nascidos vivos. As razões anuais oscilaram entre 17,35, em 2022, e 29,83 por 100 mil, em 2023, sem padrão contínuo de redução. A eclâmpsia foi a principal causa, com 171 óbitos (56,4%); somada à pré-eclâmpsia, respondeu por 252 casos (83,2%). A maior razão específica por idade ocorreu entre mulheres de 40 a 49 anos (130,83 por 100 mil), seguida pelas de 10 a 14 anos (45,36 por 100 mil). Segundo raça/cor, as maiores razões foram observadas entre mulheres pretas (88,94 por 100 mil) e indígenas (71,48 por 100 mil). Quanto à escolaridade, mulheres sem instrução apresentaram razão de 107,46 por 100 mil, aproximadamente 5,3 vezes a verificada entre aquelas com 12 anos ou mais de estudo. O puerpério até 42 dias concentrou 129 óbitos (42,6%), enquanto 71,0% ocorreram durante a gestação, parto, abortamento ou até 42 dias após seu término. A interpretação deve considerar a utilização de dados secundários sujeitos a subnotificação, erros de classificação e incompletude, especialmente na variável momento do óbito, que apresentou 27,1% de registros não informados, ignorados ou inconsistentes, além da instabilidade das razões calculadas para grupos com menor número de nascidos vivos.
Conclusão
A mortalidade materna por causas hipertensivas permaneceu relevante no Maranhão entre 2014 e 2024, com predomínio da eclâmpsia e maiores razões entre mulheres em faixas etárias extremas, pretas, indígenas e sem escolaridade. A concentração de óbitos no puerpério evidencia desigualdades e reforça a necessidade de vigilância, diagnóstico precoce, manejo oportuno e assistência obstétrica direcionada aos grupos mais vulneráveis.
Informações de Apresentação