Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
H
Hellen Karolynne Silva Pinheiro Gandra (1)
Autor Principal
Geovana Almeida dos Santos Araújo
Debora Castro Sousa (2)
Alynne Radoyk Silva Lopes (3)
João Paulo Dutra Lobo Sousa (4)
Bruno Feres de Souza (5)
(1) Fisioterapeuta, mestranda em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Maranhão;
(2) Enfermeira, mestranda em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Maranhão;
(3) Enfermeira, doutoranda em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Maranhão;
(4) Cirurgião-dentista, doutorando em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Maranhão;
(5) Orientador, Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Maranhão.
Introdução
O aborto, definido como a interrupção da gravidez até a 20ª ou 22ª semana ou com feto pesando menos de 500g, representa um grave problema de saúde pública no Brasil, com repercussões significativas na morbimortalidade materna. Compreender o comportamento espacial das internações é fundamental para o direcionamento de políticas públicas de assistência ginecológica e obstétrica.
Objetivos
Analisar a distribuição espacial das internações por complicações de abortamento no estado do Maranhão entre os anos de 2016 e 2025.
Métodos
Trata-se de um estudo observacional ecológico e analítico, utilizando dados secundários de internações hospitalares obtidos do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), com base na lista de morbidade da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, décima revisão (CID-10) para abortamento, nos municípios do Maranhão, no período de 2016 a 2025. A taxa de internação por abortamento é calculada dividindo o número total de internações por aborto pelo total de mulheres em idade fértil (de 10 a 49 anos de idade), multiplicando o resultado por 1.000. Para a análise espacial, foram gerados mapas de taxas brutas, taxas suavizadas e o Indicador Local de Associação Espacial (LISA), visando identificar aglomerados (clusters) de alto e baixo risco. Também foi estimado o Risco Relativo (RR). As análises foram realizadas nos softwares GeoDa e QGis.
Resultados
No período estudado, foram registradas 77.287 internações por abortamento no Maranhão. Na análise da distribuição espacial, identificaram-se municípios com as maiores taxas de internação, variando de 4,59 a 6,31. Entre eles, destacam-se: Imperatriz, Itapecuru Mirim, Vitorino Freire, Grajaú, Governador Nunes Freire, Timon, Timbiras, Caxias, Codó, Chapadinha, Santa Quitéria do Maranhão, Barão de Grajaú, Balsas, Santa Inês, Barreirinhas, Porto Franco e Presidente Dutra. A análise LISA evidenciou 17 municípios em aglomerados de alto risco (alto-alto) e 14 municípios em aglomerados de baixo risco (baixo-baixo). Adicionalmente, a maioria dos municípios apresentou RR entre 0,5 e 1,0, sugerindo variações importantes na distribuição espacial das internações por complicações de abortamento no estado.
Conclusão
Os achados revelam uma heterogeneidade espacial marcante nas internações por abortamento no Maranhão, sublinhando a necessidade de fortalecer a vigilância em saúde no estado. O monitoramento contínuo dos indicadores epidemiológicos mostra-se essencial para a gestão da saúde pública, permitindo a identificação precoce de áreas prioritárias e o direcionamento eficaz de recursos.
Informações de Apresentação