Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
S
Sofia Victoria Mendes Clemente
Autor Principal
(2) Raissa Cerveira Vieira - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(3) Camila Júlia Melo Rodrigues de Queiroga - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(4) Juliana Pinheiro Barcellos - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(5) Rivaldo Lira Filho - Enfermeiro e docente da Universidade Estadual do Maranhão
(6) Willane Bandeira de Sousa - Médico ginecologista e obstetra pela Universidade Federal do Maranhão - orientador
(1) Universidade Estadual do Maranhão
(2) Universidade Estadual do Maranhão
(3) Universidade Estadual do Maranhão
(4) Universidade Estadual do Maranhão
(5) Universidade Estadual do Maranhão
(6) Universidade Federal do Maranhão
Introdução
O tempo médio entre a infecção causada pelo papilomavírus humano (HPV) e o desenvolvimento do câncer do colo do útero (CCU) varia de 10 a 15 anos. O rastreamento populacional identifica lesões pré-cancerígenas, possibilitando o tratamento precoce. Entretanto, a efetividade dessa detecção pode ser impactada por determinantes sociais que afetam o acesso aos serviços de saúde. Assim, avaliar a distribuição dos achados citológicos precursores do CCU no Maranhão permite identificar possíveis disparidades na detecção precoce dessa neoplasia.
Objetivos
Analisar a distribuição dos principais achados citológicos precursores do CCU no Maranhão no período de 2021 a 2025.
Métodos
Estudo descritivo, quantitativo e retrospectivo, com dados do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN/DATASUS). Foram analisados os exames citopatológicos com alterações precursoras do CCU no período de 2021 a 2025, no Maranhão.
Resultados
O Maranhão apresentou 36.008 exames citopatológicos alterados no período de 2021 a 2025. As lesões intraepiteliais de baixo grau corresponderam a 25,11% (9.044) dos achados anormais, sendo que as maiores frequências, 13,86% (1.254) e 13,72% (1.241), foram encontradas em mulheres de 35 a 39 anos e 40 a 44 anos, respectivamente. Quanto à raça, 49,53% (4.480) das lesões de baixo grau corresponderam a mulheres amarelas, seguidas das pardas, com 30,59% (2.767); a menor incidência foi encontrada em mulheres indígenas (1,08%; 98) e pretas (6,13%; 555). As lesões intraepiteliais escamosas de alto grau estiveram presentes em 11,10% (3.999) dos exames alterados; destes, 14,32% (573) ocorreram em mulheres de 35 a 39 anos e 13,72% (549) de 40 a 44 anos. Em relação à raça, 49,88% (1.995) foram em mulheres amarelas, 29,95% (1.198) em pardas, enquanto as indígenas representaram 0,60% (24) e as pretas 7,15% (286). As lesões intraepiteliais de alto grau com suspeita de microinvasão corresponderam a 1,18% (428) dos exames alterados; 15,18% (65) dessas lesões foram identificadas em mulheres de 55 a 59 anos e 12,85% (55) de 40 a 44 anos. No que se refere à cor, 54,20% (232) estavam em mulheres amarelas e 30,60% (131) em pardas, enquanto as indígenas representaram 0,46% (2) e as pretas 5,37% (23), sendo as menores frequências dessa classificação.
Conclusão
As lesões de baixo e alto grau foram mais frequentes na faixa etária dos 35 aos 44 anos e em mulheres amarelas e pardas. Embora a faixa etária das lesões com suspeita de microinvasão tenha diferido (55-59 anos), o perfil racial manteve-se o mesmo. Observou-se uma prevalência menor nos registros relacionados às mulheres indígenas e pretas; esse resultado pode estar atrelado à falha no acesso ao exame preventivo, ocasionada por barreiras geográficas, socioeconômicas e culturais, ou à inconsistência no preenchimento dos dados, uma vez que os registros elevados de mulheres amarelas não correspondem à realidade demográfica do estado. Portanto, são necessárias estratégias que avaliem a precisão dos registros e ampliem o acesso à prevenção do CCU.
Informações de Apresentação