Status
Aprovado
Submetido em
18/08/2026
Autores
G
Geovana Almeida dos Santos Araujo
Autor Principal
Hellen Karolynne Silva Pinheiro Gandra,
Debora Castro Sousa,
Ana Beatriz Torres da Silva,
Erika Barbara Abreu Fonseca Thomaz,
Bruno Feres de Souza
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A violência contra a mulher configura-se como um fenômeno estrutural e um grave problema de saúde pública, com raízes em desigualdades históricas de gênero que perpetuam a vulnerabilidade feminina. Suas repercussões transcendem a integridade física, estendendo-se a danos psicológicos profundos e prejuízos ao ciclo reprodutivo. No cenário brasileiro, a notificação compulsória consolidou-se como instrumento essencial para a vigilância epidemiológica, conferindo visibilidade a agravos que, frequentemente, permanecem subnotificados. Compreender os padrões temporais e espaciais dessa violência é, portanto, estratégico para o direcionamento de políticas públicas de enfrentamento e proteção.
Objetivos
Analisar a tendência espaço-temporal da violência contra mulheres em idade fértil nos municípios do Maranhão de 2015 a 2024.
Métodos
Estudo observacional, ecológico e de série temporal, utilizando dados secundários de notificações de violência contra Mulheres em Idade Fértil (MIF) (10-49 anos) no Maranhão de 2015 a 2024. A tendência temporal foi avaliada pelo modelo de regressão Joinpoint, com cálculo da Variação Percentual Anual (APC) e intervalo de confiança de 95% (IC95%). Para a análise espacial, as taxas brutas foram calculadas pela razão entre o número de notificações e a população de MIF, multiplicadas por 100 mil, e posteriormente suavizadas pelo estimador bayesiano empírico local. A autocorrelação espacial local (LISA) foi utilizada para identificar clusters de risco. Também foi estimado o risco relativo (RR). As análises foram realizadas nos softwares GeoDa, QGIS e Joinpoint Regression Program.
Resultados
No período estudado, foram notificados 25.445 casos de violência em MIF, com predominância da raça/cor parda e de escolaridade entre 8 e 11 anos de estudo. Os tipos de violência mais frequentes foram a física (57,44%) e a psicológica/moral (27,47%), tendo como principais agressores o parceiro íntimo ou ex-parceiro. Na análise temporal, verificou-se crescimento contínuo (p<0,05), caracterizado por uma ascensão acentuada entre 2016 e 2019 (APC = 25,11%; IC95%: 13,95-47,78) e um incremento persistente de 2019 a 2024 (APC = 10,22%; IC95%: 1,70-13,59). Na análise espacial, as maiores taxas suavizadas foram nos municípios de Barra do Corda (191,80), Zé Doca (133,21), Presidente Dutra (133,14) e Caxias (108,81). A análise LISA revelou a formação de um cluster do tipo Alto-Alto que concentrou os municípios de Jenipapo dos Vieiras, João Lisboa, Governador Archer, Tuntum, Fernando Falcão, Senador La Rocque, Coelho Neto, Caxias, Buritirana, Santa Filomena do Maranhão e Aldeias Altas. Ademais, Barra do Corda apresentou o maior RR.
Conclusão
A violência contra MIF no Maranhão apresentou um aumento persistente e significativo entre 2015 e 2024. A identificação de municípios com taxas expressivas, associada à forte predominância das agressões por parceiros íntimos, reforça a urgência de estratégias de prevenção territorializadas e do fortalecimento da rede de proteção nas regiões mais vulneráveis.
Informações de Apresentação